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26 septiembre 2026

"Para fazer um fanático estúpido, bastam 5 minutos de redes sociais"

Entrevista de Mariana Xavier - sicnoticias.pt - 26/09/2026

'Missão em Paris' é o mais recente livro de Arturo Pérez-Reverte. O romance conta a história de Diego Alatriste e dos companheiros de aventuras, que estão em missão secreta para o conde-duque de Olivares, em França, no século XVII. O livro junta personagens ficcionadas a figuras histórias como, por exemplo, o poeta espanhol Francisco Quevedo.

"Não são romances que se improvisem, é preciso ler muitos livros e muita documentação para contar a história do século XVII, mas não queria contar só com a glória ou com a miséria, queria combinar as duas, que foi o que houve em Espanha", explica o escritor Arturo Pérez-Reverte.

A saga Capitão Alatriste celebra 30 anos e o último livro foi lançado em 2011, numa perspetiva espanhola de “Os Três Mosqueteiros”, de Alexandre Dumas. "Com o Capitão Alatriste tento mostrar que Espanha tinha o mundo nas mãos e perdeu-o. Penso que o grande erro de Espanha, de Filipe II foi não trazer a corte espanhola a Lisboa e converter Lisboa na capital do grande império espano-português", provoca o escritor espanhol.

Para além de escritor, Pérez-Reverte foi jornalista de guerra durante mais de 20 anos. "Vive-se um tempo em que os políticos exigem que estejas de um lado, na direita ou na esquerda. A minha visão do mundo é diferente, acredito que a cultura ajuda a entender os dois lados. Para fazer um democrata livre são precisos muitos anos de conhecimento, mas para fazer um fanático estúpido bastam 5 minutos de redes sociais. O que temos agora? Mais fanáticos estúpidos do que democraticamente educados", acrescenta.

'Missão em Paris' junta-se a uma saga que celebra 30 anos e que já vendeu mais de quatro milhões de exemplares em Espanha.

Vídeo: https://sicnoticias.pt/programas/cartaz/2026-09-26-video-arturo-perez-reverte-para-fazer-um-fanatico-estupido-bastam-5-minutos-de-redes-sociais-031456ff

25 septiembre 2026

"Não creio que os políticos atuais estejam à altura" dos tempos difíceis da Europa

Entrevista de Maria João Costa - rr.pt - 25/09/2026

O escritor espanhol está a lançar em Portugal o livro 'Missão em Paris'. Arturo Pérez-Reverte regressa à sua personagem icónica, 14 anos depois. Questionado sobre a crise migratória em Ceuta, o autor diz que têm faltado políticos à altura e que os migrantes que chegam veem as suas expetativas defraudadas.

Arturo Pérez-Reverte tem 74 anos. Confessa-se mais amargo e pessimista quando ao atual estado do mundo. Esses sentimentos contaminaram uma das suas personagens mais icónicas, o Capitão Diego Alatriste que regressa aos livros, 14 anos depois em 'Missão em Paris' (ed. Asa).

De passagem por Lisboa, em entrevista ao programa 'Ensaio Geral', da Renascença, o escritor conta que desta vez o seu personagem cruza-se nas páginas do livro com os 'Três Mosqueteiros'. Ele que sempre foi um admirador da obra de Alexandre Dumas sentia que queria confrontar essa “França elegante” com a “Espanha rude, com os seus soldados do campo de batalha”.

Questionado sobre a atual crise migratória em Ceuta, Pérez-Reverte evita falar sobre o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, mas acaba por admitir que “aproximam-se tempos muito difíceis e duros para a Europa” e que não crê que “os políticos atuais estejam à altura do desafio”.

—Começo por lhe perguntar como está o seu velho amigo Diego Alatriste? Como o encontraremos neste romance?

—Bem, encontrá-lo-ão mais amargo e mais lúcido. A idade tira o otimismo e traz a certeza. E a certeza nunca é agradável. Por isso, está mais lúcido e mais amargo, tal como o autor! Não fiquei mais triste com a vida, mas é certo que a idade rouba a inocência, os sonhos e, acima de tudo, rouba a esperança. Quando somos jovens, esperamos que o mundo mude para melhor. Quando ficamos mais velhos, percebemos que o mundo não vai mudar. E se mudar, nunca será para melhor. O Alatriste beneficia ou é prejudicado por isso, como personagem. É afetado pela perspetiva do autor. Neste momento da minha vida, a minha visão do mundo nem sempre é otimista. Alatriste traduz esta perspetiva.

—Mas foi o Capitão Alatriste que lhe pediu de voltar aos livros?

—Queria saber se era capaz. O Alatriste tem um culto de seguidores fanáticos, até alguns ministros do atual governo, são grandes fãs de Alatriste. Passaram 14 anos, havia outros romances que queria escrever e ainda quero escrevê-los. Mas perguntei-me: “Será que vou conseguir recuperar aquele território, aquelas personagens, aquela documentação?” E havia ainda outra questão pendente que eram 'Os Três Mosqueteiros', do livro de Alexandre Dumas, que andava na minha cabeça desde a infância. Eu queria colocar o Alatriste frente aos Mosqueteiros.

—Como é esse encontro?

—Era juntar aquela França elegante, com o seu estilo de salão, ao lado daquela Espanha árida, suja e repleta de trincheiras. Questionei-me se seria capaz e comecei a escreve, e aqui está. Queria contrastar aquela França mais refinada, elegante, onde os espadachins faziam duelos em salões, com boa postura, onde o prestígio social era importante, com aquela outra Espanha, rude, austera, com os seus soldados do campo de batalha. Então, é por isso que o duelo entre o Atos e Alatriste é assim. O Atos luta ao estilo francês e Alatriste luta ao estilo espanhol. Dizem que quanto mais suja é a luta, mais duro é o lutador, certo? E Atos diz que este tipo luta à espanhola, não é de nenhum cavalheiro. E para Alatriste, a espada não é uma ferramenta elegante, é um instrumento para ganhar a vida.

—E nesse confronto entre Espanha e França, Portugal também está envolvido porque na altura estava sob domínio espanhol?

—Sim, isso durou 60 anos. Nessa altura, Portugal também fazia parte da Espanha, ou Espanha também era Portugal. E isto leva-me a algo que já disse antes e sublinho. O grande erro de Espanha, de Filipe II, de Filipe IV, foi não esquecer a Europa das guerras religiosas, onde perdemos tanto dinheiro e tantas vidas, e ter transferido a capital de Madrid para Lisboa. Poderia ter criado uma grande capital de um império atlântico e ultramarino. Isso teria nos dado uma enorme força. Ter-nos-ia tornado a todos mais poderosos, mais ricos e melhores em tudo. Mas não a monarquia sabia como, era cega. Não sabia como agradar à nobreza portuguesa. O rei não sabia como se fazer amado. Para ele, Portugal era algo distante e herdado. Não levou isto a sério, e isso foi um erro. O maior erro de Espanha.

—Continua a defender uma solução ibérica?

—Falava muito sobre isso com o Pepe [José] Saramago, que era um grande amigo meu, como sabe. Ele era um iberista convicto, como eu. Foi um grande erro. Consegue imaginar Lisboa como capital do Império Espanhol? Como teria mudado a história do mundo?

—Acredita nesta era em que a honra perdeu terreno, perdeu o seu valor, é importante lermos histórias como esta, onde a honra tem ainda grande protagonismo?

—Quando eu era jovem, fui educado a acreditar em muitas coisas: Deus, honra, pátria, bandeira, lealdade, amor eterno, todas coisas em que todos nós acreditamos. Depois, a vida tirou-me gradualmente muitas dessas palavras, deixando-me com muito poucas, como a dignidade, a coragem e a honra, mas é a honra entendida como lealdade. O Alatriste, que perdeu todas estas coisas como o seu autor, mata por dinheiro, é um soldado com remorsos, que certa vez desfigurou o rosto de uma mulher, com um passado duro e obscuro e conserva aquelas duas ou três palavras que o seu autor também conserva. É leal aos seus amigos e à sua maneira de compreender o mundo. Isso faz dele um herói muito moderno. Os heróis clássicos da antiguidade eram heróis de coração, heróis puros de bons sentimentos. O herói moderno é um herói sombrio, porque é consciente e lúcido.

—Vemos, contudo, nesta história que as mulheres mudam sempre tudo. Interferem com os heróis?

—Gosto de mulheres perigosas. Gosto de mulheres que mudam a vida dos homens. Desde criança, devido à minha educação e ao que li, nunca entendi as mulheres como submissas aos homens, como meros complementos. Compreendi-as de outra forma, como estímulo, como juízas, como testemunha, como inquisidoras e como um castigo para os homens. Nos meus romances, as mulheres são como são na minha vida. Tentei que fossem mulheres duras que te fazem dormir descansado, sabendo que te estão a observar com uma espingarda na mão. Mulheres cujo ódio, cuja inimizade, cujo ressentimento podem ser mortais. Suponho que seja porque, tendo lido sobre os Mosqueteiros, li sobre a Milady, a personagem dos Mosqueteiros, e este tipo de mulher marcou-me. Toda a minha vida procurei Miladys em todo o lado. Todas as mulheres da minha vida foram Miladys de uma forma ou de outra. A mulher submissa, a mulher obediente, nunca me interessou. Fui educado num mundo que exigia este tipo de mulheres, mas eu não queria este tipo de mulheres. O que eu quero são mulheres perigosas, mulheres em quem não se pode confiar, mulheres que nos possam apunhalar pelas costas, com quem tenhamos de dormir com um olho aberto, que possam estar à procura de veneno ou de uma faca para nos esfaquear. Este tipo de mundo que existe na minha vida real também está presente nos meus romances.

—Neste romance, assim como noutros da série Alatriste, tem um estilo de escrita diferente dos seus outros livros. Gosta de escrever com este tom, com este ritmo?

—A tradução que fizeram em Portugal é magnífica. É muito boa, é uma tradução muito cuidada e bem conseguida. Estou muito feliz porque, nas aventuras de Alatriste, a linguagem é muito importante. Se tivesse escrito um romance usando a linguagem da época, teria sido um romance arcaico. Teria de ter um tom intermédio que, embora moderno, respeitasse a essência da literatura clássica, a grandeza do teatro e o Século de Ouro espanhol. Assim, procurei essa linguagem intermédia que o tornasse eficaz, que fizesse o leitor acreditar realmente no que estava a ler. E, para minha agradável surpresa, as traduções para português, e esta em particular, são magníficas. Não é o meu tradutor habitual. É muito respeitador e muito cuidadoso. É um tradutor que escolheram pela sua elegância no domínio da linguagem, com um toque clássico.

—Há também uma parte importante no livro que são as ilustrações, que acrescentam algo mais à história?

—Claro. Eu cresci numa biblioteca que pertencia aos meus bisavós, onde havia antigos romances como os de Alexandre Dumas. Todos eles eram encadernados com ilustrações, como revistas antigas. Queria dar a esta série aquele ar de saga clássica, à moda antiga e pedi ilustrações. Por isso, digamos que tem um pouco daquela atmosfera dos grandes romances clássicos de série, aos quais gosto de pensar que este romance é uma péssima homenagem.

—Como estão as coisas na sua Espanha neste momento, com a crise migratória em Ceuta?

—A Espanha faz parte da Europa. A Europa é um continente em declínio. Quer dizer, Platão, Aristóteles, Cervantes, Camões, Queiroz, um a um, foram condenados à “morte”. A ignorância, a estupidez e o atual clima político estão a destruir tudo. Aquele Ocidente, aquela Europa que iluminou o mundo, que foi imitada até pelos seus inimigos e que moldou tão profundamente a história da humanidade para o bem e para o mal, está a desaparecer, está a ruir. O mais grave é que os bárbaros não estão a vir de fora. Dizem que são os mouros? Não são. Os turcos e os seus simpatizantes? Os russos? Não, não, não. Somos nós, os europeus, os espanhóis, os portugueses, os franceses, os italianos, os alemães, estamos a ser os próprios bárbaros. A falta de cultura, a ignorância, o desinteresse pela história está a provocar, a destruir e a desmantelar o conceito de civilização ocidental, que era muito importante. Mas é claro que, para ser um cidadão moderno, educado, democrático e culto, são necessários anos de escolaridade, educação familiar e leitura de livros sobre cultura. Para ser um fanático estúpido, bastam cinco minutos nas redes sociais. As pessoas acham mais fácil clicar nas redes sociais. Eu já faço parte disso, já disse que gosto, faço parte desse movimento. Mas depois, claro, este declínio intelectual é muito notório. Cada vez mais! Uma Europa, uma Espanha, um Portugal, que ignoram a sua História e os mecanismos culturais que os moldaram, não conseguem interpretar o presente. Quando surgem problemas como Ceuta, ou seja o que for, uma revolução ou um ato terrorista, os cidadãos veem-se indefesos, incapazes de compreender porque é que lhes retirámos os mecanismos que lhes permitiam compreender. Isto deixa os europeus indefesos contra o mundo que aí vem, e isso é muito perigoso. Para ser sincero, sou muito pessimista. Tenho 75 anos. Talvez uma pessoa mais nova seja mais otimista. Na minha idade gostaria de ser otimista, mas não acredito que as coisas vão melhorar.

—Como vê o futuro, então?

—É curioso porque nem sempre há uma solução. A História desenrola-se, acontece, há ciclos, os impérios ascendem e caem. O Ocidente está em declínio, está a cair. Não há solução. O mecanismo é a compreensão. Quando não se compreende, permanece-se... mas quando se compreende, pelo menos tem-se a clareza para saber porque é que as coisas acontecem. Por isso, que se lixe, vamos explicar às pessoas porque é que as coisas acontecem, que não existe uma única solução, que existem diferentes formas de encarar os fins. Vamos educar-nos para encarar o fim com dignidade, com honra, com coerência e estoicismo. Não há um mundo ideal. 

—Sim, mas é à procura de um ideal que os migrantes chegam à Europa. É o que acontece com aqueles que entraram de Marrocos em Ceuta. Estão errados? 

—Sonham com uma Europa que já não existe. A Europa que eles procuram, essa Europa ideal, já não existe como tal; o que existe agora é uma caricatura dessa Europa. Chegam a uma Europa que já não é o que imaginavam. Acreditam que a Europa é um lugar onde todos vivem bem, todos têm um carro, e isso não é verdade, já não é assim. Isso representa um perigo. Quando se chega com expectativas e estas não são correspondidas, isso gera ressentimento. Assim, aqueles que vêm para a Europa e não encontram aquilo que procuram, voltam-se contra essa Europa e contribuem também para a sua destruição. A frustração da desilusão é também muito perigosa, gera ressentimento e uma agitação social muito perigosa. Avizinham-se tempos muito difíceis para a Europa, e não creio que os políticos acuais estejam à altura do desafio.

—Nem o Pedro Sánchez?

—Não quero falar de Pedro Sánchez. Mas há outra questão. Há uma ou duas gerações, os políticos entravam na política com uma formação académica sólida. Eram juristas, economistas, historiadores, filósofos; tinham uma formação prévia que lhes dava peso intelectual. Agora, os políticos vêm dos partidos; são as alas jovens de partidos, portanto, já estão num partido desde os 18 anos, não conhecem o mundo e nunca trabalharam. O distanciamento da realidade é enorme. Existe uma separação entre a política e a realidade. Isto está a criar uma espécie de política autónoma e independente, dissociada da política do mundo real. Isso é ainda mais perigoso, e é por isso que sou tão pessimista.

https://rr.pt/especial/vida/2026/09/25/perez-reverte-nao-creio-que-os-politicos-atuais-estejam-a-altura-dos-tempos-dificeis-da-europa/486823/

28 agosto 2026

Comentario sobre 'Misión en París', de Arturo Pérez-Reverte

Pedro C. Quintana Andrés - Dialnet - 28/08/2026

La octava entrega de las aventuras de Diego Alatriste se muestra, como es habitual en cada una de las publicaciones de su autor, como una trama donde se entremezclan personajes de ficción —el propio Alatriste o Íñigo Balboa— con otros históricos de gran relevancia política, cultural o militar. En esta ocasión el autor hace un guiño a los tres mosqueteros y D'Artagnan —este último es un espadachín inspirado en Charles de Batz-Castelmore, conde de Artagnan—, personajes inmortales surgidos de la pluma de Alejandro Dumas en 1844.

El encuentro de hispanos y franceses se hace con gran tacto por parte del autor, imponiendo la caballerosidad y gallardía en esos episodios donde la guerra empañaba cualquier intento de amistad. Este homenaje a uno de los principales escritores de aventuras de todos los tiempos se inscribe dentro de una novela de aventuras cuyo centro es un momento histórico de gran trascendencia para el equilibrio europeo de inicios del siglo XVII, como fue el cerco de La Rochela, ciudad francesa donde la influencia del protestantismo hugonote la convirtió en uno de los principales centros de la represión religiosa emprendida por Luis XIII y su ministro principal, el cardenal Richelieu. Este trágico episodio se registró entre 1627 y 1628, contando como protagonistas principales a los vecinos de esa ciudad atlántica y a los ejércitos realistas franceses, aunque con un papel no despreciable de Inglaterra, pues la sublevación fue dirigida por George Villiers, I duque de Buckingham, con la anuencia de Carlos I. Buckingham, que se desplazó a la ciudad con unos 6.000 hombres, llegando a un acuerdo de apoyo a la urbe. Esta ya previamente sufría el asedio de las tropas leales a Luis XIII, el cual se diluyó en el transcurso del tiempo, concretándose en el abandono de los hugonotes por las fuerzas inglesas ante la imposibilidad de convertir la resistencia en un foco de rebelión extensible al resto de Francia. La Corona española, al frente de la cual estaba Felipe IV, buscó el equilibrio político en ese momento, ayudando por un lado a la Francia católica, cuya expansión geopolítica era una realidad amenazante del Imperio hispano; y por otro, disuadiendo a los ingleses mediante el fondeo de la flota hispana en el golfo de Morbihan sin entrar en conflicto directo con ellos, pues el impasse del asedio a la ciudad favorecía a los intereses hispanos, procurando la distracción de las fuerzas anglicanas.

En ese mundo donde los representantes del poder medraban política y económicamente a costa de utilizar a su antojo a soldados, diplomáticos y pueblos enteros sometidos a perennes guerras, donde la religión era una excusa más para lograr más poder, Alatriste —alter ego del escritor— ofrece, como el propio Pérez-Reverte, una actitud crítica y trasluce un considerable pesimismo, cierta acracia en su discurso y gran desdén hacia lo que ve y, sobre todo, a lo que se le promete. El desengaño es una constante en las acciones de los personajes centrales, que solo aspiran a vivir y lograr una paz que no llega, cuyo paralelismo, siguiendo al autor, puede ser aplicado a casi cualquier momento de la historia de España, donde se observa una forma de actuar de la clase política muy similar entre las épocas. La gran perjudicada es la propia nación, entendiéndose por tal a la población trabajadora, humilde, que ve frustradas sus ansias de prosperar y desarrollarse ante las malas políticas y las ambiciones de un puñado de políticos apropiados de las áreas de decisiones más importantes.

La novela, por tanto, no reconstruye solo un pasado, sino también tiene un carácter de trascender el momento, pues su esencia es casi una constante en el solar hispano. Se pretende entender las razones de este proceso —reiterado en todas las novelas de esta saga—, pero también comprender que en un sistema político amoral, corrupto y nepotista aún existía gente con capacidad crítica, con acciones basadas en una ética humanista y alejada de todo interés por el poder. Pérez-Reverte, en su relato, procura hacer una lectura crítica de la modernidad política europea, utilizando la ficción como herramienta de problematización histórica, donde los personajes reales son moralmente poliédricos, volubles en su toma de decisiones y con un proceder político dominado por la máxima de que el fin justifica cualquier tipo de medio.

Pérez-Reverte, con la ventaja de conocer el proceso histórico, aprovecha para, desde una visión pesimista y fustigadora, elaborar un panorama en el que no solo predomine el hecho histórico —lo cual no pretende, pues se basa en determinadas escenas muy esquemáticas—, sino, sobre todo, sino al mismo tiempo presentar un narración ideológica concreta sobre la decadencia española, no tanto militar como moral. Los ejércitos hispanos conquistadores de América, Canarias y gran parte de la Europa Occidental, por su buena estrategia, coraje y nobleza, decaen debido a la mala gestión política, las venalidades reales, el nepotismo y la corrupción generalizada de una fracción del sector preponderante de aquella sociedad. El general Spínola, otro personaje real con presencia en el libro, es la síntesis del viejo y noble guerreo virtuoso que reconoce a Alatriste porque en ambos viven las esencias de un tiempo pasado, perdido, donde los dos desconocen ya dónde se encuentra el verdadero enemigo y qué representación tiene el nuevo mal.

Frente a un Richelieu práctico, basado en una política real donde todo lo que se oponga a la toma y ejercicio del poder debe ser eliminado, como los vecinos de La Rochela, se oponía la inacción española, esperando que su pasado fuera capaz de salvarla de la hecatombe. Luis XIII, pese a estar influenciado por Richelieu era un rey, como se aprecia en la novela, atento a la vida política internacional, situado al frente de sus tropas y capaz de tomar decisiones sobre el futuro de Francia. Situación similar se presenta en Inglaterra, donde Carlos I intenta llevar la iniciativa en la lucha marítima contra Felipe IV y tener mayor peso en la política europea. En España el rey ha delegado el poder en un valido —el conde-duque de Olivares— cuyo mandato ejerce según propios y de sus allegados, con una nefasta política económica —pese a contarse en la nación con las destacadas aportaciones de la escuela de economistas de Salamanca— y peor política interna y exterior. Es el momento de la transición de la vieja política, representada por la Corona española, en la que prevalecía el honor, la lucha y la conquista, por la nueva surgida en Inglaterra, Francia o los Países Bajos, fundamentada en una estrategia cuyo fin era la hegemonía política y económica.

El texto es una reflexión del autor por comprender el citado proceso, sobre qué mecanismos actuaron dentro de la clase dominante hispana, que les impidió modificar sus horizontes de poder y sus relaciones con el resto de su entorno político. Se mantuvo a grandes rasgos un concepto, aunque no una aplicación, fundado en una ética aristocrática representada por Carlos V, por ejemplo, sin auparse a la nueva mentalidad moderna basada en las filosofías que postulaban la racionalidad del poder y la estructuración social del estado. La figura del francés Descartes y su propuesta racionalista fue la representación de la Francia de Richelieu y Mazarino, mientras en Inglaterra Locke, Hume o Berkeley asentaban las bases del empirismo, cuyo espíritu embargó las grandes empresas exteriores iniciadas por Inglaterra desde el siglo XVII. Este será el nicho para que surja con fuerza la razón de Estado. En España la escolástica siguió siendo la base de la filosofía del poder y de la vida de la élite, justificando una política real fuerte y un derecho positivo del Estado, pese a los intentos de modernización emprendidos por Francisco de Vitoria y Francisco Suárez.

En 'Misión en París' Pérez-Reverte utiliza como estrategia narrativa a un narrador omnisciente que rememora los actos del pasado en los que estuvo presente o no, lo que confiere coherencia al relato y es el eje vertebrador de todas las novelas editadas sobre Alatriste hasta el momento. Balboa realiza un continuo flashback en el que la focalización interna le permite reinterpretar y adelantarse teleológicamente a los acontecimientos, tomando sobre ellos una distancia temporal que no podría registrarse en un mero memorialista. Su papel no se limita solo a narrar unos hechos, sino que introduce reparos sobre diversos y múltiples aspectos; recurre a la nostalgia (varias veces habla del pasado glorioso de los tercios o de cómo morirán algunos de los principales  personajes); e introduce un equilibrio en lo que nos cuenta del pasado y la acción que está por venir. Es decir, se advierte una tensión narrativa que le da dinamismo al relato.

El novelista plantea una obra basada en una mecánica de sucesión de "sketches", en parte cerrados, y, por tanto, casi establecidos como un guion de película. En cada una de estas escenas existe un velo de tensión, dolor, duda o amargura por actuaciones del pasado o del presente, surgiendo estas independientemente del personaje que se encuentre interpretando el momento, ya sea Balboa o Alatriste, pues ellos participan a la vez o individualmente en todas las escenas registradas en el libro.

Pese al citado guiño realizado hacia los personajes de Dumas, Pérez-Reverte no idealiza, magnifica y ennoblece a sus personajes en cada acto como hace el autor francés; al contrario, Alatriste, Balboa y compañía exteriorizan las fatigas, apuros y dolor de la guerra, el desarraigo y la violencia desmedida. Son unos antihéroes bregados en la desilusión, unos fracasados gloriosos, unos derrotados orgullosos y las piezas más débiles en un tablero donde se jugaba sin tregua ni piedad. Este canallismo imperante en la elite hispana representada, junto al egoísmo y el egocentrismo tan presentes entre los personajes políticos más destacados en la novela, son los que intentan erradicar Quevedo, Alatriste y otros, sabiéndose cada vez más perdedores dentro del anquilosado terruño hispano.

El desarrollo de la novela es ágil, como se ha apuntado, con un conocimiento histórico del espacio —descripción de La Rochela y París— que permite aportar verosimilitud al trabajo, con un estilo basado en diálogos dinámicos, donde los personajes hablan intercalando algunos arcaísmos relacionados con aspectos de lances de guerra o tipos de armas, sin renunciar al dinamismo y a la ilustración histórica, con un fondo de melancolía y tristeza emanada de todos sus personajes, especialmente del principal, así como y de un ácido Francisco de Quevedo.

En todo caso, también cabe incidir en que en esta octava entrega se exhibe una reiteración de escenas-tipo ya tanteadas en las otras siete novelas anteriores, con personajes sin un avance en su concepción de la realidad, previsibles en sus acciones y encasillados en un modelo de relaciones del cual no parecen querer salir. Las situaciones base se repiten y acomodan con parecida efectividad en cada teatro donde el autor introduce a sus personajes, incluidos los secundarios, algunos creados mediante pequeños golpes de luz que no permiten ver el fondo de sus introspecciones y acciones. Quedan muchas actuaciones resueltas mediante acciones simples, sin reflexión ética en su resultado final o elaboración de unas conclusiones que no los condenen a continuar un descenso moral in crescendo. Posiblemente en el conjunto de sus novelas centradas en Alatriste, Pérez-Reverte está muy de acuerdo con Gil de Biedma cuando decía: "De todas las historias de la Historia, la más triste sin duda es la de España, porque termina mal".

https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=10891418

25 julio 2026

Cuando Alatriste desembarcó en Cartagena

Luis Miguel Pérez Adán – La Verdad – 25/07/2026

Hay monumentos que embellecen una ciudad y otros que la ayudan a recordar quién fue. El inaugurado el pasado 17 de julio pertenece a esta segunda categoría. Cartagena ha incorporado a su paisaje urbano la figura del capitán Diego Alatriste y Tenorio, el inolvidable personaje creado por Arturo Pérez-Reverte, emplazado en un lugar cargado de simbolismo: junto a las históricas Casas del Rey, donde durante siglos se ejerció buena parte de la autoridad de la Corona sobre una de las plazas navales más importantes del Mediterráneo español.

La presencia del propio Pérez-Reverte convirtió el acto en un homenaje a la literatura, pero también a la historia. Porque Alatriste nunca pisó Cartagena. Sin embargo, Cartagena estuvo siempre presente en el mundo donde vivió Alatriste.

Las aventuras del viejo capitán transcurren aproximadamente entre 1622 y 1630, durante el reinado de Felipe IV. El propio autor lo presenta con una frase que ya forma parte de la literatura española: «No era el hombre más honesto ni el más piadoso, pero era un hombre valiente.» Bastan esas palabras para comprender que Alatriste representa a toda una generación de soldados españoles curtidos por las campañas de Europa y del Mediterráneo.

Mientras él recorría las calles de Madrid, combatía en Breda o embarcaba en las galeras de Levante, Cartagena desempeñaba un papel silencioso, pero decisivo.

En torno a 1623, mientras Alatriste sobrevivía entre conspiraciones cortesanas, Cartagena vivía pendiente del mar. Las torres vigía alertaban de las incursiones de los corsarios berberiscos y las galeras reales recalaban con frecuencia en el puerto para aprovisionarse antes de volver a patrullar un Mediterráneo donde la amenaza otomana seguía muy presente.

En 1625, cuando el capitán luchaba junto a Ambrosio de Spínola durante el sitio de Breda, Cartagena contribuía de forma decisiva a sostener el esfuerzo militar de la Monarquía. Desde sus muelles partían soldados, pólvora, hierro, madera, víveres y dinero destinados a Italia, Flandes y el norte de África. Las grandes victorias nacían en el campo de batalla, pero también en puertos como éste.

Cuando Alatriste navega en ‘Corsarios de Levante’, Cartagena era precisamente uno de los grandes refugios de aquellas escuadras. Aquí se reparaban embarcaciones, se embarcaban compañías de infantería y se organizaban convoyes que mantenían abiertas las comunicaciones del Imperio. El olor de la brea, el golpe de los calafates y el ir y venir de soldados eran parte inseparable del paisaje cotidiano de nuestra ciudad.

No resulta casual que Arturo Pérez-Reverte hiciera servir a Íñigo Balboa en el Tercio Viejo de Cartagena, una unidad histórica cuyo nombre evocaba disciplina, prestigio y experiencia. Era un guiño a una ciudad que llevaba siglos sosteniendo el poder naval español en el Mediterráneo.

Todavía faltaba un siglo para la construcción del gran Arsenal borbónico, pero Cartagena ya era una plaza estratégica. Las Casas del Rey, junto a las que hoy monta guardia Alatriste, centralizaban asuntos militares, marítimos y administrativos de enorme importancia. Difícilmente podía encontrarse un escenario mejor para recibir al viejo capitán.

Si yo hubiera tenido el privilegio de ejercer de cronista de Cartagena en aquellos años, quizá habría dejado escrito algo así: «Hoy han entrado en el puerto varias galeras procedentes de Nápoles. Desembarcan veteranos de Flandes como el conocido capitán Alatriste, con las capas remendadas y la espada al costado. Los escribanos registran nuevos embarques; los herreros no descansan; los carpinteros de ribera trabajan sin tregua y en las Casas del Rey se reciben órdenes de Su Majestad. Cartagena vive al ritmo del Imperio.»

No habría sido una licencia literaria. Habría sido una descripción fiel de la ciudad. Por eso emociona contemplar hoy la figura de Alatriste en ese mismo escenario. Parece esperar el embarque hacia Génova o Sicilia. Parece uno más entre aquellos miles de soldados anónimos que cruzaron estas calles camino de guerras de las que muchos nunca regresaron. Como escribió Pérez-Reverte, «Los hombres no medían entonces la vida por los años, sino por las campañas.» Y pocas ciudades conocieron mejor esa realidad que Cartagena.

Este homenaje tampoco habría sido posible sin la voluntad de muchas personas. Es de justicia reconocer el compromiso de la Corporación Municipal, encabezada por su alcaldesa Noelia Arroyo, por impulsar una iniciativa que enriquece el patrimonio histórico de la ciudad. Del mismo modo, merece un sincero agradecimiento Arturo Pérez-Reverte, que ha permitido que uno de los personajes más universales de nuestra literatura encuentre aquí un hogar permanente.

El proyecto lleva también la firma inconfundible de Augusto Ferrer-Dalmau, cuya visión artística ha sabido interpretar como nadie la épica militar española; del escultor Salvador Amaya Montoya, que ha dado vida al bronce con extraordinaria sensibilidad; y, muy especialmente, de dos personas cuya perseverancia ha resultado decisiva para hacer realidad este sueño: Julio Mínguez y Miguel Martínez.

La estatua de Alatriste no representa únicamente a un personaje de ficción. Representa a miles de soldados cuyos nombres permanecen escondidos entre legajos, relaciones de embarque y viejos documentos conservados en nuestros archivos. Hombres que hicieron posible la historia sin esperar jamás un monumento.

Quizá por eso Cartagena era el único puerto donde Alatriste podía terminar desembarcando. Porque antes de convertirse en literatura, ya llevaba siglos caminando entre nosotros.

Y hay un detalle que, sin duda, hará sonreír a muchos cartageneros. Desde hace generaciones, cuando alguien demostraba una resistencia fuera de lo común, era habitual escuchar aquello de: «Eres más duro que Máiquez», en alusión a la estatua de Isidoro Máiquez que desde hace más de un siglo preside la Glorieta de San Francisco y ha soportado impasible el paso del tiempo, las inclemencias del clima y hasta alguna que otra gamberrada. Pues bien, Cartagena ya tiene un serio competidor para ese dicho popular. Porque si había alguien capaz de disputarle ese título al inmortal actor cartagenero, ese solo podía ser Diego Alatriste.

Después de sobrevivir a Flandes, a Breda, a los corsarios berberiscos, a las emboscadas de Madrid y a las traiciones de medio mundo, este viejo capitán ha llegado finalmente a Cartagena para quedarse. Y quizá, con el paso de los años, cuando alguien quiera describir a una persona de carácter inquebrantable, ya no baste con decir que «es más duro que Máiquez». Tal vez haya que añadir, con una sonrisa: «...o más duro que el capitán Diego Alatriste».

https://www.laverdad.es/murcia/cartagena/alatriste-desembarco-cartagena-20260725011830-nt.html

17 julio 2026

Inauguración de la escultura de Alatriste en Cartagena


El capitán Alatriste ya monta guardia frente al Arsenal de Cartagena

Alba Molina - murciaeconomia.com - 17/07/2026

“No era el hombre más honesto ni el más piadoso, pero era un hombre valiente”. Treinta años después de aparecer por primera vez sobre el papel, Diego Alatriste ha abandonado por un momento las calles oscuras del Madrid del siglo XVII para ocupar un lugar permanente en Cartagena.

La ciudad portuaria ha inaugurado este viernes el monumento dedicado al capitán Alatriste, el célebre personaje creado por Arturo Pérez-Reverte, en un acto celebrado en la plaza del Cuartel del Rey y al que ha asistido el propio escritor cartagenero. La escultura se levanta junto a los Jardines de Capitanía General y frente al Arsenal Militar, un enclave que refuerza el vínculo de la obra con la historia naval y castrense de Cartagena. El descubrimiento del monumento, presidido por la alcaldesa de Cartagena, Noelia Arroyo, convierte al veterano soldado de ficción en un nuevo habitante del casco histórico. Alatriste permanecerá allí con la mano cerca de la espada, el rostro curtido y esa actitud sobria de quien ha visto demasiado como para concederse gestos innecesarios.

La estatua alcanza los 2,40 metros de altura y ha sido realizada en bronce por el escultor Salvador Amaya a partir de un boceto original del pintor Augusto Ferrer-Dalmau. Para crear la pieza definitiva, Amaya trabajó previamente con un modelo de cerca de 1.000 kilos de barro, posteriormente trasladado a fundición para obtener una figura de aproximadamente 600 kilos. El resultado reproduce con detalle la indumentaria, las cicatrices, las arrugas y el cansancio contenido del personaje. No presenta a un héroe reluciente o victorioso, sino a un soldado veterano, firme y endurecido por las campañas, las heridas y una España tan poderosa en apariencia como frágil en sus entrañas. Pérez-Reverte pudo seguir de cerca la fase final del modelado durante una visita realizada en marzo al taller de Salvador Amaya en Toledo. 

La conexión del monumento con Cartagena no termina en el lugar elegido. El pedestal incorpora sillares históricos procedentes del Arsenal Militar y cedidos por la Armada, de manera que el personaje literario se sostiene simbólicamente sobre una parte material de la historia naval de la ciudad. La plaza del Cuartel del Rey, donde se encontraban los antiguos cuarteles del mismo nombre, ha sido remodelada para dar protagonismo al conjunto escultórico. Su ubicación frente al Arsenal convierte la estatua en una pieza integrada en el paisaje militar de Cartagena y en un nuevo punto de interés para vecinos, visitantes y lectores de la saga.

El proyecto fue presentado públicamente en octubre de 2025 en la sede de la Real Academia Española, con la participación de Noelia Arroyo, Arturo Pérez-Reverte, Augusto Ferrer-Dalmau y Salvador Amaya. Desde su concepción, la obra fue planteada no solo como un homenaje al personaje y a su creador, sino también como el primer gran monumento público dedicado específicamente a los Tercios de España.

Diego Alatriste y Tenorio es un veterano de los Tercios de Flandes que, tras regresar de la guerra, malvive como espadachín a sueldo en el Madrid del siglo XVII. A pesar del tratamiento con el que todo el mundo lo conoce, en realidad nunca llegó a ser capitán. Es un hombre de pocas palabras, moral incómoda y lealtades profundas, atravesado por las luces y las sombras del Siglo de Oro español. Sus aventuras son narradas principalmente por Íñigo Balboa, el joven hijo de un antiguo compañero de armas al que Alatriste acoge tras quedar huérfano. A través de ambos personajes, Pérez-Reverte recorre las intrigas de la Corte, las guerras de Flandes, los callejones de Madrid, los corrales de comedias, la Inquisición y las campañas militares de una monarquía que extendía su poder por Europa mientras comenzaba a mostrar sus grietas. La primera novela, 'El capitán Alatriste', apareció en 1996 y dio origen a una saga que reúne ya ocho entregas. La más reciente, 'Misión en París', fue publicada en 2025, catorce años después de 'El puente de los Asesinos', y llevó de nuevo al personaje junto a Íñigo Balboa, Francisco de Quevedo y Sebastián Copons. La relación literaria con Cartagena también aparece dentro de la propia serie. En 'El sol de Breda', tercera novela de la saga, Íñigo Balboa sirve como mochilero en el Tercio Viejo de Cartagena durante las campañas de Flandes.

 La estatua permite a Cartagena rendir homenaje a uno de sus escritores más universales mediante el personaje que mejor ha sabido atravesar las fronteras entre literatura, historia y cultura popular. Las aventuras de Alatriste han vendido millones de ejemplares, han sido traducidas a numerosos idiomas y han llegado también al cine y la televisión. Pero el monumento mira más allá de las novelas. A través del soldado imaginado por Pérez-Reverte, recuerda a los hombres que integraron los Tercios y a quienes partieron desde puertos como el de Cartagena para combatir lejos de su tierra. Literatura e historia se encuentran así frente al Arsenal, en un lugar donde el pasado militar de la ciudad nunca ha sido una abstracción.

Alatriste nació de la tinta, cruzó campos de batalla, tabernas y callejones, y terminó convirtiéndose en uno de los personajes más reconocibles de la narrativa española reciente. Desde este viernes, tiene también rostro, espada y sombra propia en Cartagena. Y allí seguirá, frente al Arsenal, como corresponde a los viejos soldados: sin hacer ruido, pero sin abandonar nunca su puesto.

https://murciaeconomia.com/art/107775/el-capitan-alatriste-ya-monta-guardia-frente-al-arsenal-de-cartagena

Cartagena inaugura el monumento al Capitán Alatriste como nuevo símbolo cultural de la ciudad

Jesús Nicolás - laverdad.es - 17/07/2026

Cartagena inauguró este viernes el monumento dedicado al Capitán Alatriste en la plaza del Cuartel del Rey, donde la escultura del célebre personaje creado por Arturo Pérez-Reverte pasa a formar parte desde hoy del patrimonio urbano y símbolo cultural de la ciudad. El acto, celebrado junto al Arsenal y abierto al público, contó con la presencia del escritor cartagenero, así como de la alcaldesa, Noelia Arroyo.

La jornada, que amaneció especialmente calurosa, comenzó en el Palacio Consistorial. Por allí se dejó caer el escritor cartagenero, quien, antes de departir con la alcaldesa, se fotografió con el grupo de recreacionistas que dieron empaque histórico al acto. Una vez salieron la regidora y Reverte del afrancesado edificio, desfilaron con esa escolta de Tercios hasta el lugar donde ahora se yergue la estatua. Pese al bochorno y el solazo que caía sin piedad desde primera hora de la mañana, una gran cantidad de cartageneros se congregó para poder compartir unos segundos con el afamado autor cartagenero. Entre el público, los protagonistas fueron sin duda los abanicos, entre las señoras, y los sombreros, entre los caballeros.

Una banda de infantería de marina puso acompañamiento musical al evento mientras prácticamente todos los sectores e instituciones de la sociedad civil cartagenera estuvieron representados en el acto. Autoridades militares y representantes empresariales y del tejido social y cultural de la ciudad pudieron observar en primera fila el destape de tamaña obra de arte. El repertorio escogido, por supuesto, fue muy patriótico, con temas y marchas como 'Banderita' o el propio himno de España.

La alcaldesa, Noelia Arroyo, hizo en su alocución, tan solo interrumpida por unos anecdóticos problemas de sonido, un repaso por la trayectoria vital del autor. Desde su entrada a la delegación de 'La Verdad' en Cartagena, pasando por su etapa como corresponsal de guerra y, finalmente, llegando a su triunfo como escritor de "best sellers". La alcaldesa destacó la estatua como la mejor «excusa» para brindar ese doble homenaje a los hombres de armas y a uno de los más ilustres hijos de la ciudad, de quien, expresó, recibió su «compromiso» y su «entrega» desde el primer momento.

Por su parte, el autor, que intervino una vez desvelada la estatua de su hijo literario, tiró de modestia para expresar que no se consideraba digno de recibir tal reconocimiento de parte de su ciudad, la que le vio crecer en el desaparecido poblado de Repesa, en Escombreras. En múltiples ocasiones, el autor se deshizo en elogios a la Armada, a la que dijo sentirse fuertemente vinculado. En recuerdo de aquellos marinos y soldados que dieron su vida por España, Reverte les dedicó varias citas, una de ellas de Cervantes, y recordó a todos aquellos hombres del Siglo de Oro que murieron en batallas lejos de su patria, como reza una de las inscripciones en el pedestal de la estatua. Jóvenes que, expresó, murieron «muchas veces abandonados» y que, en su viaje, encontraron «más miseria que gloria». El escritor cartagenero reivindicó en este sentido el legado de la hispanidad en el mundo. La época en la que, evocó, «España tenía cogido por el pescuezo a la mitad del mundo mientras estaba en guerra con la otra mitad». Así, con el objetivo de hacer justicia con ese pasado lleno de «luces y sombras», fue cómo, recordó, surgió en su cabeza la idea de crear a Alatriste. Tarea que se encomendó a sí mismo cuando descubrió que, en el libro de Historia de su hija, el Siglo de Oro se despachaba «en una página llena de lugares comunes».

Con la inauguración de la estatua, culmina así un proyecto impulsado por el Ayuntamiento de Cartagena para rendir homenaje al autor cartagenero a través de uno de sus personajes más universales y, al mismo tiempo, reconocer la memoria de los Tercios españoles y de los hombres y mujeres de armas vinculados a la historia de la ciudad. La escultura, realizada en bronce por Salvador Amaya a partir de un boceto original de Augusto Ferrer-Dalmau, representa al Capitán Alatriste con el realismo y el rigor histórico que caracterizan la obra de ambos artistas. La figura, de 2,40 metros de altura y cerca de 600 kilos de peso, se alza sobre un pedestal construido con sillares históricos procedentes de antiguos muelles del Arsenal Militar, cedidos por la Armada para este proyecto.

El monumento presidirá de este modo una plaza del Cuartel del Rey completamente transformada tras las obras de remodelación ejecutadas por el Ayuntamiento. El espacio, anteriormente ocupado por plazas de aparcamiento, ha sido peatonalizado para crear un entorno acorde con la relevancia del conjunto monumental, situado frente al Arsenal y junto a los jardines de Capitanía General. De momento, el solado se ha dejado exento de todo tipo de mobiliario urbano, sean árboles, bancos o papeleras. La elección de este enclave responde a su significado histórico. Cartagena fue durante siglos uno de los principales puertos militares de la Monarquía Hispánica y punto de partida de tropas hacia escenarios como Flandes, Nápoles o el norte de África. Además, en la saga literaria de Pérez-Reverte, el Capitán Alatriste pertenece al ficticio Tercio Viejo de Cartagena, reforzando el vínculo entre el personaje y la ciudad natal del escritor.

La inauguración coincide con la conmemoración del trigésimo aniversario de la publicación de 'El Capitán Alatriste', la novela con la que Arturo Pérez-Reverte inició una de las sagas más exitosas de la literatura española contemporánea.

Vídeo:

https://www.laverdad.es/murcia/cartagena/cartagena-inaugura-monumento-capitan-alatriste-nuevo-simbolo-20260717213802-nt.html

Pérez-Reverte descubre el monumento al capitán Alatriste, homenaje de Cartagena al escritor

cartagena.es - 17/07/2026

El Ayuntamiento de Cartagena ha inaugurado este viernes el monumento al capitán Alatriste, una obra con la que la ciudad expresa públicamente su admiración por Arturo Pérez-Reverte y rinde homenaje a los Tercios españoles y a los hombres y mujeres de armas vinculados a la historia de Cartagena.

La alcaldesa, Noelia Arroyo, destacó durante el acto que el Ayuntamiento llevaba años buscando la forma de dejar constancia de "la admiración y el orgullo que los cartageneros sentimos por Arturo Pérez-Reverte" y afirmó que el monumento convierte esa gratitud en un reconocimiento público y permanente. "Arturo, te damos las gracias por llevar a Cartagena siempre en el corazón y queremos que esa gratitud sea pública y permanente con el monumento al capitán Alatriste", señaló la alcaldesa ante el escritor, que descubrió junto a ella la escultura instalada en la plaza del Cuartel del Rey, frente al Arsenal Militar.

Durante su intervención, Arturo Pérez-Reverte recordó que el capitán Alatriste nació como un homenaje a los soldados anónimos que sostuvieron la historia de España durante el Siglo de Oro. La idea surgió mientras contemplaba Las lanzas, de Velázquez, en el Museo del Prado, cuando reparó en que los hombres que habían hecho el trabajo más duro apenas aparecían representados en el cuadro, ocultos tras los generales, los caballos y las banderas. El escritor explicó que quiso contar "la historia de esas lanzas, de los hombres que estaban detrás", reivindicando a quienes combatieron durante siglos lejos de su tierra y cuyo sacrificio apenas ha ocupado espacio en los relatos históricos más conocidos. Su propósito, señaló, era recuperar tanto la luz y la gloria de aquella época como sus sombras y contradicciones. Ese empeño se hizo aún más personal cuando su hija Carlota, que entonces tenía 12 años, estudiaba un Siglo de Oro resumido en apenas una página y media de su libro de texto. Pérez-Reverte quiso ofrecerle a ella y a toda una generación una forma distinta de acercarse a esa parte de la historia de España, recuperando la memoria y las aventuras de los hombres que hicieron posible aquel periodo histórico.

El escritor recordó también el sacrificio de "esos hombres que embarcaron por aquí, camino de lugares donde iban a dejarse la vida, la salud, donde obtuvieron poca gloria y mucha miseria, como ocurre a todos los soldados honrados que mueren siempre", unos combatientes a los que definió como "españoles mal pagados, mal tratados siempre, abandonados a menudo, porque supieron por honor, por punto de honor, por lo que fuera, hacer su papel con honra, con decencia y con valentía", concluyendo con un sincero agradecimiento a la alcaldesa, a sus amigos, a la Armada y a su "querida Cartagena que ha hecho esto posible".

Arroyo resaltó también el simbolismo del lugar escogido, frente al Arsenal Militar y junto a los Jardines de Capitanía. La plaza del Cuartel del Rey era el espacio en el que se abastecía a la flota que trasladaba tropas hacia Flandes y, según explicó, puede considerarse uno de los puntos de partida del Camino Español que recorrieron miles de soldados hacia el centro de Europa. "Perfectamente, aquí mismo podría haberse pertrechado antes de embarcar el capitán Diego Alatriste, al frente del Tercio Viejo de Cartagena", afirmó. La alcaldesa explicó que la ciudad había buscado "el mejor proyecto" por tratarse de un homenaje a Pérez-Reverte y de la incorporación de un nuevo monumento al casco histórico. Sobre los autores, señaló que Ferrer-Dalmau elaboró el boceto del personaje y destacó de Salvador Amaya "el rigor con el que retrata a los personajes", además de "hacer respirar al bronce".

La obra representa al capitán Alatriste en bronce, con una altura de 2,40 metros, y ha sido modelada por el escultor Salvador Amaya a partir de un boceto original del pintor Augusto Ferrer-Dalmau. La estatua descansa sobre siete sillares históricos procedentes de los antiguos muelles del Arsenal de Cartagena, cedidos por la Armada a el Ayuntamiento. En referencia al autor, Arroyo insistió en que Cartagena ha seguido la trayectoria de Pérez-Reverte desde sus comienzos como periodista en la delegación de 'La Verdad' que dirigía Pepe Monerri y subrayó su capacidad para reunir prestigio literario y respaldo de millones de lectores.

"Pocos creadores son capaces de lograr la magia de llegar a tanta gente con tanta calidad", afirmó la alcaldesa, que también destacó la independencia mantenida por el escritor a lo largo de su trayectoria. "Como Alatriste, Pérez-Reverte nunca ha rehuido una pelea" y "su espada se mueve por igual a izquierda que a derecha", añadió. La alcaldesa explicó que esa defensa de su libertad hacía difícil que el escritor aceptara un homenaje personal. "Finalmente, lo hemos conseguido con la pequeña treta de proponerle un monumento a uno de sus hijos literarios. ¿Qué padre va a negarse a un reconocimiento para uno de sus hijos?", señaló.

Uno de los sillares de la base incorpora una inscripción elaborada expresamente por Arturo Pérez-Reverte y dedicada "a los soldados españoles que a lo largo de los siglos embarcaron en Cartagena para combatir lejos de su patria". Junto al texto figura grabada en la piedra la firma autógrafa del escritor. Los bloques de piedra proceden de los muelles del Arsenal construidos en el siglo XVIII conforme a los proyectos de Jorge Juan y Sebastián Feringán. Durante casi tres siglos estuvieron en contacto con el mar y acogieron el atraque de barcos de madera, hierro y acero. En su superficie se han conservado las huellas dejadas por los organismos marinos que los colonizaron. "Son bloques que han visto el atraque de cientos de buques de madera, de hierro y de acero durante casi tres siglos", señaló Arroyo, quien agradeció a la Armada la cesión de las piezas y la colaboración del almirante del Arsenal para hacer posible el monumento. La alcaldesa indicó que estos elementos permiten recordar a los Tercios españoles, honrar a quienes han defendido España a lo largo de la historia y homenajear a Pérez-Reverte, cuyas novelas han sido leídas por unos 30 millones de personas y traducidas a más de 40 idiomas. "El niño que jugaba con una espada imaginaria en el poblado de Repesa ha hecho que el mundo entero haya vuelto a disfrutar de las novelas de capa y espada con el capitán Alatriste", afirmó.

El momento en el que la alcaldesa y el escritor descubrieron la estatua estuvo acompañado por la Unidad de Música del Tercio de Levante de la Armada, que interpretó la fanfarria compuesta por el músico jumillano Roque Baños para la película 'Alatriste', dirigida por Agustín Díaz Yanes. La Unidad de Música interpretó además otras piezas durante una ceremonia en la que el monumento estuvo escoltado por quince recreadores históricos de la Asociación Tercio Viejo de Cartagena y de la Asociación Cultural Yecla Siglo de Oro, caracterizados como capitán, abanderado, tambor, arcabuceros, rodelero y piqueros de los Tercios españoles.

La iniciativa para rendir este homenaje fue propuesta por la alcaldesa y aprobada por unanimidad por el Pleno del Ayuntamiento. El proyecto había sido presentado previamente en la Real Academia Española por Noelia Arroyo, Arturo Pérez-Reverte y los autores de la obra.

Fotos: https://www.cartagena.es/detalle_noticias.asp?id=89013

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=qnUtXpu5pS4

https://www.rtve.es/play/videos/programa/perez-reverte-descubre-estatua-del-capitan-alatriste-cartagena/17160367/

https://www.youtube.com/watch?v=gIBfLimwaYY

https://www.cope.es/emisoras/region-de-murcia/murcia-provincia/cartagena/noticias/capitan-alatriste-perez-reverte-eterno-cartagena-natal-20260717_3406554.html

https://www.cartagenaactualidad.com/articulo/actualidad/cartagena-rinde-homenaje-perez-reverte-monumento-unico-capitan-alatriste-pierdas-obra-emblematica-frente-arsenal-militar/20260717114616221495.html

https://www.elmundo.es/cultura/2026/07/17/6a59ef6ae4d4d84c328b4593.html

https://cartagenadiario.es/monumento-capitan-alatriste-cartagena-perez-reverte-inauguracion/

https://efe.com/murcia/2026-07-17/arturo-perez-reverte-homenajea-soldados-estatua-alatriste-cartagena/

https://www.ondacero.es/podcast/emisoras/cartagena/mas-de-uno-cartagena/cartagena-rinde-particular-homenaje-perezreverte-monumento-capitan-alatriste_202607176a5a2598550cb0e4d02c689c.html

https://www.laopiniondemurcia.es/cartagena/2026/07/17/inaugurado-monumento-capitan-alatriste-homenaje-132548401.html

https://www.infobae.com/espana/agencias/2026/07/17/perez-reverte-homenajea-a-los-soldados-al-descubrir-una-estatua-de-alatriste-en-cartagena/

https://www.orm.es/informativos/arturo-perez-reverte-inaugura-la-estatua-del-capitan-alatriste-en-cartagena/

https://www.radiohoy.com/2026/07/17/perez-reverte-descubre-estatua-del-capitan-alatriste-en-cartagena-espana/800703/

https://cadenaser.com/murcia/2026/07/17/alatriste-ya-monta-guardia-en-cartagena-radio-cartagena/

Alatriste

José Belmonte Serrano - laverdad.es - 17/07/2026

A Arturo Pérez-Reverte, que, en estos últimos años, se ha creado una bien ganada fama de polemista por llamarles a los tontos por su nombre, siempre le han 'puesto' esas novelas cuyo inicio es algo así como un soberbio puñetazo en el estómago, como si con ello se tratara de espabilar al lector, que aún no ha entrado del todo en la trama. Y, aunque con frecuencia ha recurrido al principio de la 'Ilíada' -«Canta, oh diosa, la cólera del Pelida Aquiles»-, siempre ha puesto de ejemplo las primeras líneas de uno de sus relatos favoritos, esos que le han acompañado, alojados en el fondo de su mochila, en todas las guerras: 'Scaramouche', del francés Rafael Sabatini, que deja al lector más exigente con la boca abierta: «Nació con el don de la risa y la intuición de que el mundo estaba loco».

La primera entrega de las aventuras del capitán Alatriste, que salió a la luz a mediados de los años noventa, hace honor al deseo de Reverte de empezar una historia con buen pie, como un señuelo con el que poder embaucar a quienes se acerquen a ella. Y no es para menos: «No era el hombre más honesto ni el más piadoso, pero un hombre valiente».

El propio escritor cartagenero ha contado, en más de una ocasión, la razón por la que, en un momento dado, dejó a un lado esas novelas que lo habían convertido en uno de los autores más leídos en todo el mundo ('El maestro de esgrima', 'La tabla de Flandes', 'El club Dumas', 'La piel del tambor'...), y decidió sacarse de la manga la serie del capitán Alatriste. Sucedió cuando, al repasar las páginas dedicadas al Barroco español de uno de los libros de su hija Carlota, apenas encontró unas pocas notas, unas ideas mínimas, que, en absoluto, hacían justicia a uno de los periodos más brillantes del arte y de la literatura española de todos los tiempos. De ahí que, en los ocho volúmenes dedicados a Alatriste, aparezcan con frecuencia personajes como Quevedo, que, con su mal humor permanente, cumple con un papel muy destacado en estas páginas, Lope de Vega, que pasea su fama de genial comediógrafo por la Corte, Velázquez, que ha dejado su Sevilla natal para convertirse en pintor del Rey, el todopoderoso Conde-Duque de Olivares o el mismísimo y rubicundo Felipe IV, tan aficionado a la caza mayor como a la caza de las damas que le ponían a tiro, y, muy especialmente, si eran cómicas.

Pérez-Reverte, acaso sin proponérselo, ha hecho más por la historia y por la literatura española del Siglo de Oro que todos nosotros, los profesores, que nunca hemos sabido administrar tantos datos, tantos nombres, tantos hechos gloriosos de esa España del pasado sin aburrir a los pacientes y pobres discentes. Don Francisco de Quevedo, por ejemplo, resulta mucho más atractivo, mucho más "digerible", cuando Arturo mezcla sus poemas con sus pendencias, sus sonetos con sus numerosas y habituales riñas: "¡No queda sino batirnos!".

En los inicios de los años veinte del siglo pasado, algunos teóricos de la literatura, como Ortega y Gasset, que, amén de genial filósofo, también tenía un fino olfato para analizar la creación literaria, dieron por finiquitado el género novela, tras la desaparición de los grandes narradores europeos del XIX ─Stendhal, Flaubert, Dickens, Tolstoi, Galdós y compañía, dignos herederos del viejo maestro Cervantes─ y la publicación del 'Ulises', de James Joyce, que puso patas arriba todo ese mundo a punto de extinguirse.

Pérez-Reverte ha sido uno de los pocos escritores que ha sabido conectar con ese espléndido pasado con relatos en los que, por ejemplo, ha desempolvado la figura de Alejandro Dumas y sus mosqueros. Hacía décadas que los héroes como Fabricio del Dongo, Edmundo Dantés, Ana Karenina o Anita Ozores habían desaparecido de la escena para dejar paso a una suerte de antihéroe mucho más difuminado, más desvalido y oscuro, perdido en la noche. Reverte ha vuelto a poner en pie esa vieja tradición del héroe con atributos, aunque ahora, por mor de la posmodernidad, sean "héroes cansados". Así nacen personajes como Astarloa, Lucas Corso, Macarena Bruner, Falcó y don Diego Alatriste y Tenorio, el mejor símbolo de estos tiempos convulsos y feos, capaz de vender su alma al mejor postor, de ponerse al servicio del mejor pagador, aunque siempre cumpla con unas reglas, un estricto código de honor que le convierte en un sujeto mucho más noble, más leal y más honrado, que el resto de los mortales. A un tipo así nadie podría negarle una estatua.

https://www.laverdad.es/opinion/jose-belmonte-alatriste-20260717235256-nt_amp.html

Así es la escultura de Alatriste que Arturo Pérez-Reverte inaugura en Cartagena


Manuel P. Villatoro - abc.es - 17/07/2026

Don Diego Alatriste, bregado veterano de los Tercios de la Monarquía Hispánica, ha llegado este viernes a Cartagena presto a disfrutar de la brisa marina y del cariño popular. Este 17 de julio, a primera hora de la mañana –los soldados siempre madrugan– la ciudad inaugurará de forma oficial el monumento dedicado al personaje más famoso de Arturo Pérez-Reverte, que poca presentación necesita.

El acto contará con la participación del académico y escritor y de la alcaldesa de la ciudad, Noelia Arroyo, quien ha recalcado en muchas ocasiones la importancia que ha tenido para la literatura la saga de Alatriste y su autor.

La obra, ubicada en la plaza del Cuartel del Rey, frente al histórico Arsenal de la ciudad, es más que una escultura. Tal y cómo recalcó la alcaldesa durante la presentación de los bocetos en la capital el pasado noviembre, también rinde homenaje a los Tercios españoles –esos que dominaron los campos de batallad de la Vieja Europa durante tres siglos– y a los hombres y mujeres de armas vinculados a la historia de Cartagena.

Además, la base está formada por sillares históricos procedentes del Arsenal Militar de Cartagena, cedidos por la Armada al Ayuntamiento para su incorporación al monumento. Qué más se puede pedir.

Desde los primeros compases de la escultura, nada quedó al azar. Para empezar, el boceto fue alumbrado por el pintor Augusto Ferrer-Dalmau. «Lo hice en apenas un día porque tenía en la cabeza cómo es Alatriste: postura desgarbada, desaliñado… y aspecto peligroso», explicó el pintor de batallas el pasado noviembre.

Porque sí, tanto él como Pérez-Reverte se imaginan al veterano de los Tercios como un tipo feroz al que colegas y adversarios habrían temido. «Es el resultado de una España peligrosa y cruel, grande y miserable; una España que tenía el mundo agarrado por el pescuezo. Por eso queremos a un personaje admirable y peligroso», incidió el académico.

El encargado de alumbrar el monumento ha sido el escultor Salvador Amaya, también autor del grupo escultórico que tendrán los Tercios españoles en Madrid. «La escultura la visualicé como la imagen de un soldado veterano de los Tercios el día de su vuelta a Cartagena, el puerto de dónde partió, después de un tiempo fuera de España», explica el artista a este diario a través de una conversación telefónica. En sus palabras, este veterano «luce como un soldado curtido por muchos años de guerras y penurias con la expresión trágica de una persona que ha pasado las de Caín, como se suele decir de forma coloquial, y que, aún así, sigue mirando al horizonte, hacia el futuro», sentencia.

La maniobra de instalación de la estatua, realizada el pasado miércoles por operarios municipales, fue supervisada por el mismo Amaya, quien se preocupó de que esta mole de 2,40 metros reposara sobre su pedestal. Meses antes, en marzo, Arroyo y Pérez-Reverte se desplazaron hasta el taller que el escultor tiene en Toledo para conocer el estado de los trabajos. La obra se encontraba entonces en la recta final de su modelado, un proceso en el que el artista empleó alrededor de una tonelada de barro antes de proceder a la fundición en bronce. Durante aquella visita, el novelista no ocultó su entusiasmo ante el nivel de detalle de la obra. Lógico, pues Este colosal Alatriste destaca por una indumentaria de época, cicatrices, y un gesto que denota sus muchos años en brega.

https://www.abc.es/historia/escultura-alatriste-arturo-perezreverte-inaugurado-cartagena-20260717011816-nt.html

03 mayo 2026

A sala llena, Pérez-Reverte habló de Alatriste, la guerra y su nueva novela, 'Misión en París'


Inés Hayes - Clarín - 03/05/2026

La cola para la sala con más capacidad de la Feria Internacional del Libro de Buenos Aires empezó temprano. El sol llegaba completo a uno de los patios de La Rural. Las 500 sillas de la sala José Hernández se ocuparon todas y a las 17:05 el periodista Jorge Fernández Díaz presentaba a su amigo, el escritor español Arturo Pérez-Reverte, con su nueva novela, 'Misión en París' (Penguin), en la que su mítico personaje, el Capitán Alatriste, vuelve con sus aventuras luego de más de una década de hacerse esperar.

“Después de muchos años, cuando parecía que su mítico espadachín ya lo había dado todo –dijo Fernández Díaz–, Arturo escribió una nueva peripecia de Alatriste en 'Misión en París'. Su autor fue corresponsal de guerra y hoy camina por las calles de Madrid, tiene 7 millones de lectores en todo el mundo. Para este gran narrador, la literatura es el juego más serio del mundo y supo arrebatarles a los anglosajones la épica de los mosqueteros. Desde que comenzamos a leerlo pasamos las páginas y somos de nuevo niños adultos: nunca fuimos más felices que cuando leemos esos libros de aventuras”. Luego de un cálido abrazo de bienvenida, Reverte dijo: “Ya es una vieja tradición que tú y yo nos encontremos acá, con lectores y lectoras, para charlar de nuestras cosas”.

"¿Cómo fue doblegarte a vos mismo para volver a crear a Alatriste?", le preguntó Fernández Díaz, y Reverte explicó que se cumplían 30 años del primer libro y lo que lo venció fue el desafío de volver a escribirlo no siendo el mismo. “Alatriste tampoco es el mismo –explicó el español–, volví a leer los 7 volúmenes de la serie y me sentí bien, fue como reencontrarte con viejos amigos en una taberna. Y fue interesante porque yo tengo un lado oscuro como Alatriste, era como una forma de competencia, a ver quién tenía más fantasmas. El libro no es ficción del todo, se disimula en recovecos narrativos, pero soy yo y es mi memoria. Ha sido un proceso interesante y doloroso: me di cuenta de que soy mayor y llevo una mochila llena de remordimientos”.

Ante la pregunta del periodista sobre qué significó que se hayan hecho series, películas, que se den sus libros en los colegios y que hasta haya rutas gastronómicas en homenaje a sus libros, Pérez-Reverte dijo que había ido más allá de lo que esperaba: “Empecé a escribir para recuperar una parte de nuestra propia historia, pero los libros se terminaron convirtiendo en una reflexión sobre la soledad, la oscuridad, el fracaso, y de qué manera palabras como patria, religión, bandera se han ido desgastando con el paso de la vida. Fui educado en un mundo donde los policías eran honrados y los políticos eran honestos, pero después descubrí que me habían estafado y había que construir un baluarte donde atrincherarte en el valor y la lealtad”.

Fernández Díaz le consultó sobre su desafío de escribir historias sobre mosqueteros siendo español y el escritor le respondió que creció en una casa con biblioteca: “A mis 16 años había leído de todo, me eran familiares las historias, el cine, mi imaginario era la aventura, el mar, el Mediterráneo, para mí nunca hubo complejos, quería escribir aquello que me había hecho feliz. Nunca quise ser novelista, fue un accidente, quería escribir sobre aventuras, por eso me hice reportero, no quería que me aplaudieran los críticos y eso me llevó donde me llevó. Tú entiendes porque nunca has querido complacer, has querido ser feliz contando historias y que el lector las comparta. Para mí cada novela es una aventura”.

'Misión en París' transcurre en el año 1628 y el escritor tenía el trabajo de no repetirse: “Cuidado, porque puede ser un pastiche, me dije. Tenía que crear un libro original, creíble. Cuando tienes mi edad (75 este año), necesitas probarte constantemente cosas, cuando voy a navegar pienso si seré capaz de bancarme lo que pasa, la tormenta, ese desafío de ver si soy capaz todavía, me da valor y respeto por mí mismo y eso es oro puro”.

Jorge Fernández Díaz y Arturo Pérez Reverte se conocieron en 1994 en tiempos de 'El Club Dumas' y desde entonces se hicieron amigos y cada uno lee el libro del otro, muchas veces antes de que salgan a la venta. “Estamos a pocos días de que se lance un nuevo libro tuyo que no está todavía en la Argentina, que llegará en unos días y, sin embargo, no puedo resistir la tentación de hablar de ese libro, un libro inesperado. 'Enviado especial' es una biografía de guerra y el hombre que está en la tapa fumando –el periodista y escritor levantó de la mesa el libro y lo mostró al público– es Arturo como corresponsal de guerra. Los editores han hecho un trabajo espectacular con tus reportajes (como les dicen en España a las crónicas) de guerra. ¿En cuántas has estado?”, preguntó el argentino.

“En 17 o 18. Cuando vives pendiente del reloj, de una conexión por satélite para enviar el material, eres un egoísta profesional: si no transmites, nada de eso vale para nada, y para eso necesitas conseguir la información, comprar a policías, a aduaneros, a soldados, llevar mucho tabaco encima para conseguirlo. Las tácticas que tiene que tener un reportero en esos lugares no siempre son honorables y esa lucha entre ética y práctica es muy frecuente. En Sarajevo, íbamos a trabajar para la televisión en medio del bombardeo. Yo tengo mi mochila llena de esas escenas”, recordó Pérez-Reverte.

“La prehistoria de Arturo comienza con una primera crónica que escribió cuando bajó a una mina, ¿qué recordás de esos días?”, preguntó Fernández Díaz. “Tenía 18 años, la editora eligió esa crónica y ahí aprendí una cosa: tú nunca eres uno de ellos sino alguien que entra y sale, y para entrar hay que seducir para que te acepten y después poder salir para poder contarlo. Ese chico había leído mucho y quería ver si la vida se parecía a los libros que había leído. Era un chico viajando por todo el mundo: África, Asia, América Latina, en un mundo fascinante en el que me sumergí con entusiasmo”, compartió ante la sala atenta.

Fernández Díaz contó que, durante unas vacaciones, cuando Pérez-Reverte era adolescente, se anotó para ir en un barco pesquero, hizo un curso de paracaidismo y de buceo. “Me fueron muy útiles esos cursos. Había un barco de la CIA que estaba en Canarias y me mandaron del periódico a cubrirlo. Tenía 22 años, estaba toda la prensa pendiente y yo me alquilé un equipo de buceo porque no quería hacer lo que iba a hacer todo el mundo”, contó el escritor. “¿Y qué pasó cuando desapareciste un tiempo?”, preguntó Fernández Díaz. “El resto no sabía dónde estaba, pero yo sí”, bromeó. “Me fui con la guerrilla de Sudán, entré con ellos en la ciudad, estuve dos meses y nadie sabía nada de mí, volví hecho bolsa, pero volví. Estuve muy enfermo, pensé que iba a morir ahí, tenía 23 años. Conservé las fotos y cuando volví a Madrid, mis fotos salieron en primera plana”.

Cuando Fernández Díaz le preguntó por su mirada del mundo actual, Pérez-Reverte le dijo que sería entrar en un territorio demasiado complejo: “Hay una guerra contra la ilustración, la Europa que llenó al mundo de libertades, que hizo posible los derechos humanos, también con sus monstruosidades, con los colonialismos y con todo lo malo, ahora está resistiendo la guerra de Trump y el Islam contra ello. La democracia ya es un obstáculo en todas partes, ahora los tiranos son tipos con chaquetas de Silicon Valley. Las dictaduras que vienen en camino lo hacen a través de Silicon Valley”.

“Para mi sorpresa, el libro que está por llegar a la Argentina tiene seis relatos largos sobre la Guerra de Malvinas, ¿qué pensás de esa guerra?”, le preguntó Fernández Díaz y Pérez Reverte contestó: “No pude ser ecuánime, cada día luchaba para que mi simpatía no quedara de manifiesto, era consciente de que si ganaban la guerra la junta militar seguiría y por ese lado quería que la perdieran, pero no quería que la perdiera la Argentina. Un día, subiendo por la calle Florida, escuché el grito "goooooooooool" y me acuerdo de que pensé, quizás merezcan perder la guerra: estaban muriendo los chicos allá y acá festejaban un gol. Cuando vengo a Argentina, vengo a mi casa y eso lo digo desde el cariño, Argentina ha sido infame con sus hombres de Malvinas”, dijo y los aplausos se encendieron de a uno hasta multiplicarse en todas las manos.

La anteúltima pregunta fue sobre el miedo: “El miedo es gris, todavía ahora los amaneceres me producen malestar. He tenido mucho miedo, lo tienes siempre”. “¿De qué manera te cambió la guerra?”, preguntó para cerrar Fernández Díaz. “Me hizo mirar el mundo de una manera que no la hubiera visto si no hubiera estado en ella. Te das cuenta de que el ser humano es lo que es, que tiene ángeles y demonios. La guerra me dio una forma de mirar, de no odiar ni admirar al hombre de una manera excesiva. También te da una manera de comer, de dormir, de relacionarte, de vivir y de morir. Lo que yo soy y la mirada en mis novelas se la debo a la guerra. Soy un lector que accidentalmente escribe novelas, pero fundamentalmente soy un lector. Haber leído te da una forma de interpretar el mundo, no ves el mundo de la misma manera habiendo leído. Cuando lees ves que el mundo es una sucesión de catástrofes y de cosas hermosas también, y tu actitud es estoica. Va a haber un apagón, un colapso, esto es insostenible. No es ninguna tragedia, ha pasado ya, lo hemos leído: ocurrió en Grecia, en Roma”.

https://www.clarin.com/cultura/sala-llena-perez-reverte-hablo-alatriste-guerra-nueva-novela-mision-paris_0_mBeC8Uimac.html

02 mayo 2026

Alatriste, las guerras y su filosa mirada sobre Malvinas y el futuro


Cecilia Martínez - La Nación - 02/05/2026

Arturo Pérez-Reverte presentó 'Misión en París' (Alfaguara), el regreso del Capitán Alatriste tras 14 años de espera, en una conversación con Jorge Fernández Díaz que ya es un clásico de la Feria del Libro. Ante más de 500 personas y con colegas como Eduardo Sacheri entre el público en la sala José Hernández, el escritor y su par argentino hablaron de literatura, el paso del tiempo, las guerras, los remordimientos, Malvinas y el porvenir de una civilización que, para el autor español, avanza hacia el colapso.

“Ya es una vieja tradición que tú y yo nos juntemos aquí”, soltó Pérez-Reverte al ser recibido en el escenario, entre aplausos. Fernández Díaz le dio la bienvenida con una primera mención al libro: “Después de muchos años, cuando parecía que su mítico espadachín ya lo había dado todo, el autor volvió con sus libros y documentos del Siglo de Oro español y escribió como si no hubiera pasado el tiempo”.

Para dimensionar el fenómeno, el escritor argentino recuperó una definición del filólogo Alberto Montaner, especialista en aquel período histórico, quien sostuvo que Alatriste ingresó al linaje reservado a los grandes mitos literarios españoles: el Cid, la Celestina, Don Juan y Don Quijote. “La aseveración es asombrosa pero no exagerada; aunque el carácter contemporáneo del padre de la criatura tiende injustamente a relativizarla: ¿cómo va a resultar un mito clásico español este espadachín de ficción si su autor es de carne y hueso, camina por las actuales calles de Madrid y de Buenos Aires y sale todos los años en la radio y en la tele?”.

La saga cuenta con millones de ejemplares vendidos, adaptaciones cinematográficas, juegos, circuitos culturales. Sin embargo, volver a ese universo después de tanto tiempo implicaba para su creador un desafío: “Había lectores que decían: "Usted prometió". Y se cumplían 30 años, pero, ¿era capaz de reencontrarme con esos personajes? Yo ya no era el mismo”. Sin embargo, se puso a ello y fue como encontrarse “con viejos amigos en una taberna”, lo cual, según dijo, lo llenó de felicidad. Volver implicó también enfrentarse a su propia historia: “Descubrí que yo he ido más rápido que Alatriste en oscuridades; no es ficción del todo, hay una parte de mi memoria, por eso también fue un proceso doloroso: he envejecido”, apuntó el escritor de 75 años.

La charla giró luego hacia 'Enviado especial', el nuevo libro que verá la luz en los próximos días y que reúne sus crónicas como corresponsal de guerra, de las que mencionó: “Cuando vives pendiente del reloj, de un télex para enviarlas, te vuelves egoísta. Si no transmites, nada vale para nada. Tienes que conseguir la información, sobornar a policías, aduaneros; llevar tabaco encima. Toda esa táctica requiere no siempre hacer cosas honorables, pero sí necesarias para tu trabajo. Yo era un buen reportero; por eso hice cosas de las que no estoy orgulloso”, confesó. Y dio ejemplos: “En Sarajevo, corriendo entre tiros y bombardeos, una familia salió al paso a pedirnos que paráramos, pero no llegábamos al 'Telediario'... Todavía recuerdo la cara del niño. Cosas que pude hacer y no hice. Todo se va acumulando”.

Sudán, Medio Oriente, minas, guerrillas, cárceles. La guerra, tras más de 20 años en el oficio, fue horror y aprendizaje. “He tenido mucho miedo, lo tienes siempre”, confesó. “Aunque aprendes que tú nunca eres uno de ellos: no eres un minero, ni un guerrillero; estás de paso, por eso debes tener habilidades para entrar y salir”, sumó.

El autor fue cronista en la guerra de Malvinas y señaló que, en ese caso, vio a “los pilotos con rosarios que iban a jugarse la vida”, pero “era consciente de que si ganaba Argentina, la dictadura seguiría”. De aquellos tiempos, recuerda una escena en Buenos Aires, durante el Mundial de Fútbol: “Yo estaba en el hotel Sheraton y un día, subiendo por la plaza, escuché: "¡goooool!", y pensé: "Quizás merezcan perder la guerra". Ese día, solo ese día, detesté a la Argentina. Fue el momento más amargo: mientras estaban muriendo los chicos ahí, otros estaban viendo el partido”. Y profundizó en el origen de su disgusto: “Que Argentina no haya sabido trazar la línea entre esa dictadura infame y la gente que luchó, esos soldaditos… que se los ningunee y se los olvide, me parece una infamia nacional. Y digo esto porque cuando yo vengo a Argentina, vengo a mi casa, y desde el cariño me permito hablar: Argentina ha sido infame con sus hombres de Malvinas”.

La conversación avanzó hacia el presente. “Hoy hay una guerra contra la Ilustración, contra esa Europa que iluminó el mundo; el peligro son las dictaduras que vienen del teléfono móvil, de Silicon Valley”, sostuvo. Y fue más lejos: “Esto va a terminar muy mal. Va a haber un apagón, un colapso; el mundo artificial que estamos construyendo es insostenible... Esto se va al carajo”. Fernández Díaz, consciente del tono apocalíptico del final del encuentro y antes de que se diera paso a la firma de ejemplares por parte del autor, eligió cerrar el intercambio con humor, evocando el poder de la literatura: “Antes de que venga el colapso, nos quedan todavía muchos libros y muchas oportunidades de escuchar a Arturo; como en 'Casablanca': siempre nos quedará Pérez-Reverte”.

https://www.lanacion.com.ar/cultura/perez-reverte-y-fernandez-diaz-en-la-feria-del-libro-alatriste-las-guerras-y-su-filosa-mirada-sobre-nid02052026/

"El lector inteligente se da cuenta de que no me lo he inventado todo"


Entrevista de Adriana Muscillo - Clarín - 02/05/2026

En un salón versallesco del Hotel Alvear, se presentó un Arturo Pérez-Reverte que no es el columnista algo gruñón y enojado que acaso se muestra habitualmente en los medios. Tampoco es el miembro de número de la Real Academia Española que se adivina como un acartonado y distante purista del lenguaje. Bueno, purista del lenguaje es.

El periodista, escritor y académico español es autor de más de cincuenta [sic] joyas literarias, en su mayoría históricas, muchas de las cuales han sido llevadas al cine, a la televisión y al cómic. Recibió numerosas distinciones internacionales, entre ellas, la de Caballero de las Artes y de las Letras del gobierno francés. Antes de eso, fue cronista de guerra durante veintiún años: cubrió los principales conflictos armados ocurridos entre 1973 y 1994, en territorios como el Golfo Pérsico, el Líbano, Eritrea, el Sahara, Bosnia, nuestras Islas Malvinas, entre muchos otros. Está de visita en Buenos Aires para presentar, en la Feria Internacional del Libro de Buenos Aires, su más reciente entrega de la célebre saga que tiene al Capitán don Diego Alatriste como hidalgo protagonista de múltiples andanzas a capa y espada, quien, junto a sus ya legendarios compañeros, acomete una importante y arriesgada 'Misión en París' (Alfaguara, 2025).

Este libro, que aparece después de una pausa de catorce años, es el octavo de la saga, que ahora cumple treinta. Además, en unos días, se publicará 'Enviado especial' (Alfaguara), que recorre la memoria de un reportero en primera línea. La novela transcurre en 1627, durante el asedio de La Rochelle, que forma parte de los antecedentes históricos de 'Los tres mosqueteros', de Alexandre Dumas –quienes, de hecho, aparecen en la trama–, con lo cual Arturo Pérez-Reverte duplica aquí la ya difícil tarea de cruzar el dato histórico con la ficción: “'Los tres mosqueteros' es un libro fundamental para mí, marcó mi vida. Lo leí con ocho o nueve años, en una edición antigua y con grabados que era de mi bisabuelo, y quedé fascinado”, contó el autor español, con emoción.

—¿Cómo surge la idea de retomar el personaje del Capitán Alatriste?

—Primero, hay unos lectores que son muy fieles. Algunos hasta llevan tatuajes de Alatriste. Entonces, me presionaban. Segundo, el aniversario y, por otra parte, había un desafío personal: “¿Seré capaz, después de haber hecho otras cosas, de recuperar ese mundo que tengo olvidado completamente?”. Y, después, quedaba una deuda íntima con Dumas, que es que mi primer libro leído fue 'Los tres mosqueteros'. Ahí estaba todo: el amor, la amistad, la traición, la mujer peligrosa, la mujer dulce y amorosa, los amigos leales, el poder en la sombra, el misterio, estaba todo. Yo no era un lector, era uno más. ¡Yo formaba parte de esa historia! Me disfrazaba y me pasaba el tiempo jugando al espadachín.

—¿Es quizás ese mismo entusiasmo el que logró usted en sus lectores con la saga de Alatriste?

—Vamos a ver, hay dos tipos de lector: el lector testigo y el lector partícipe. Los dos son respetables, ¿eh? El testigo es el lector que lee un libro, como el que va a ver una película, asiste al espectáculo narrativo de una novela. El partícipe es el lector cuya imaginación lo lleva a meterse en la historia, a formar parte de ella. Ese es el lector, digamos, de verdad o de más alta categoría, de más alto nivel. No despreciemos al otro, porque todo acto de leer ya es noble. Pero ese introducirte en la historia me ha pasado siempre. Entonces, ese es el lector que busco. Alatriste está hecho con los trucos nobles del oficio de que dispongo para que el lector sea un compañero de viaje y no un testigo.

—¿Cuáles son esos trucos?

—Los trucos se aprenden leyendo. No soy un artista, sino un artesano: soy un tipo que ha leído, un lector que accidentalmente escribe. A veces, frente a un papel o a una pantalla, no todo fluye, a veces se encuentra uno con problemas: “¿Cómo resuelvo esto?”. Entonces, me levanto y voy a ver a mis maestros: Conrad, Stendhal, Balzac, Flaubert, y siempre está ahí la solución. Pero ojo, esto es muy importante: tendemos a despreciar la literatura ligera y superficial. Hablo de Agatha Christie, Chandler, Conan Doyle, pero todo es literatura. Ese cóctel de literatura, alta y baja, esos son mis trucos. Los he aprendido de ellos y los aplico a mi mundo, a mi época, a mis temas y a mi propia escritura.

—¿Qué cosas le enseñó cada uno de sus maestros?

—Conrad me ha enseñado a describir a un tipo de gente, un lugar, un mar parecido al alma del hombre que lo está mirando, pero Agatha Christie me ha enseñado a empezar un capítulo, a terminarlo, a agarrar al lector por el cuello y decirle: "Ven aquí". El "best seller" americano más burdo, más torpe, a lo mejor me enseña cómo hacer que el lector tenga un estremecimiento. Thomas Mann no me enseña a abrir un capítulo. Me enseña, a lo mejor, a desarrollar un personaje, un diálogo. Entonces, el autor que soy aprende de todo, sigo aprendiendo todavía ahora, ¿no? Borges sí, claro, y Arlt, naturalmente, y Bioy, que son mis tres iconos argentinos, y Mujica, también, en un cuarto lugar. Pero es que yo me voy a Soriano y entiendo a Argentina. Yo entiendo a Argentina mejor leyendo a Soriano que leyendo a Borges.

—¿Su experiencia como cronista de guerra influye en ese cóctel?

—Yo tengo una suerte: no he aprendido a vivir en un bar, en un hotel, en un despacho de abogados ni en un banco, aunque son lugares muy respetables, no los desprecio. Entonces, he visto cosas duras, he visto aspectos del ser humano y de la vida que aquí no es fácil ver. A lo mejor he visto en dos días de guerra en Beirut o en Sarajevo lo que otras personas tardan diez años en entender. Eso me ha dado una memoria personal. Pero el haber sido lector antes me permitió identificar el mundo y entenderlo. Entonces, cuando hablo de violencia, de soledad, de fracaso, de muerte, de cómo se degüella a un tío, no es teoría, no me lo han contado. Lo había leído, pero es que, además, lo he vivido.

—¿Cómo se lleva con esos recuerdos?

—Yo soy una persona serena, no he ido a un psicólogo en mi vida. Esto a un argentino le debe de sonar raro, pero es verdad. Mis psicólogos son los libros. Entonces, todo eso lo digerí muy bien. Todos tenemos fantasmas, yo tengo remordimientos, tengo sangre en las uñas, hay noches en que estás despierto y te pesa, pero soy una persona bastante equilibrada. Lo fui siempre. Entonces, digamos que todo esto, en lugar de traumatizarme, lo he digerido de una manera nutritiva. Yo miro al mundo de Alatriste, una historia es una mirada. Hay gente que mira las que se forjan en un bar, en un café, en el divorcio… En mi escritura, el lector inteligente se da cuenta de que no me lo he inventado todo.

—En Alatriste también hay valores como el honor, la amistad, la lealtad… ¿Eso es, igualmente, transmisión de lo vivido? ¿Cómo dialogan esos principios con el presente?

—Es un mundo distinto. Yo fui educado para un mundo diferente al que era de verdad. En mi mundo los curas eran santos, los políticos eran honestos, los policías eran honrados. La vida me fue desmontando un montón de ideas: honor, patria, bandera, religión. La vida te despoja, te va arrancando todo eso y te encuentras huérfano. Entonces, necesitas algo en lo que apoyarte. Te dices: “A ver, ¿qué sobrevive?”. La admiración por el valor, la dignidad, la lealtad, la amistad, el amor y poco más. Entonces, con eso, construyes un reducto donde refugiarte cuando hace mucho frío. Esa visión del mundo, ese despojo de grandes palabras, se lo presto a Alatriste.

—En la obra se evidencia una investigación de fechas y lugares muy precisa. ¿Cómo logró cruzar los datos históricos con la ficción, la propia y la de Dumas?

—Bueno, ese era el desafío. Pero había un problema que intenté evitar, y creo que lo logré, que es algo que se da mucho en la novela histórica, que es que cuando un novelista hace un trabajo histórico, después tiene la tentación de meterlo todo en la novela. Como ha trabajado tanto, quiere que esté todo dentro. Entonces, yo tengo la certeza de que eso estropea una novela. No puedes hacer una novela enciclopédica. Debes dejar fuera todo aquello que no es necesario. Aunque yo lo necesito para entender, el lector a lo mejor lo puede intuir, pero no debe estar escrito.

—Si sobra material, ¿quedará para la próxima?

—Mira, en noviembre tendré 75 años. La cabeza se desgasta y no hay nada más triste que un escritor que está muerto y no lo sabe. Es lo más triste del mundo. Yo he conocido casos, y algunos de los grandes, lo que no les quita grandeza, pero las decadencias, los finales, son muy tristes y penosos. Y los escritores no siempre son conscientes de que están acabados. Hay autores a los que hay que decirles: “Déjalo, maestro, ya está”. Soy consciente de eso. Pues sí, lo siento, lector. Yo sé que tengo fecha de caducidad. ¿Qué me queda de vida práctica, diez años? ¿Cuántas novelas más podré escribir? ¿Tres, cuatro? Tengo que elegir, no puedo equivocarme, es terrible una novela que dejaré sin escribir. ¿Qué puedo hacer de aquí a diez años que sea capaz de hacer, que no sea una novela senil, ni absurda, ni idiota, ni acabada, ni decadente? Y es muy duro eso, es dolorosísimo. Hay novelas para las que me preparé durante mucho tiempo y que no llegaré a escribir.

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