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25 septiembre 2026

"Não creio que os políticos atuais estejam à altura" dos tempos difíceis da Europa

Entrevista de Maria João Costa - rr.pt - 25/09/2026

O escritor espanhol está a lançar em Portugal o livro 'Missão em Paris'. Arturo Pérez-Reverte regressa à sua personagem icónica, 14 anos depois. Questionado sobre a crise migratória em Ceuta, o autor diz que têm faltado políticos à altura e que os migrantes que chegam veem as suas expetativas defraudadas.

Arturo Pérez-Reverte tem 74 anos. Confessa-se mais amargo e pessimista quando ao atual estado do mundo. Esses sentimentos contaminaram uma das suas personagens mais icónicas, o Capitão Diego Alatriste que regressa aos livros, 14 anos depois em 'Missão em Paris' (ed. Asa).

De passagem por Lisboa, em entrevista ao programa 'Ensaio Geral', da Renascença, o escritor conta que desta vez o seu personagem cruza-se nas páginas do livro com os 'Três Mosqueteiros'. Ele que sempre foi um admirador da obra de Alexandre Dumas sentia que queria confrontar essa “França elegante” com a “Espanha rude, com os seus soldados do campo de batalha”.

Questionado sobre a atual crise migratória em Ceuta, Pérez-Reverte evita falar sobre o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, mas acaba por admitir que “aproximam-se tempos muito difíceis e duros para a Europa” e que não crê que “os políticos atuais estejam à altura do desafio”.

—Começo por lhe perguntar como está o seu velho amigo Diego Alatriste? Como o encontraremos neste romance?

—Bem, encontrá-lo-ão mais amargo e mais lúcido. A idade tira o otimismo e traz a certeza. E a certeza nunca é agradável. Por isso, está mais lúcido e mais amargo, tal como o autor! Não fiquei mais triste com a vida, mas é certo que a idade rouba a inocência, os sonhos e, acima de tudo, rouba a esperança. Quando somos jovens, esperamos que o mundo mude para melhor. Quando ficamos mais velhos, percebemos que o mundo não vai mudar. E se mudar, nunca será para melhor. O Alatriste beneficia ou é prejudicado por isso, como personagem. É afetado pela perspetiva do autor. Neste momento da minha vida, a minha visão do mundo nem sempre é otimista. Alatriste traduz esta perspetiva.

—Mas foi o Capitão Alatriste que lhe pediu de voltar aos livros?

—Queria saber se era capaz. O Alatriste tem um culto de seguidores fanáticos, até alguns ministros do atual governo, são grandes fãs de Alatriste. Passaram 14 anos, havia outros romances que queria escrever e ainda quero escrevê-los. Mas perguntei-me: “Será que vou conseguir recuperar aquele território, aquelas personagens, aquela documentação?” E havia ainda outra questão pendente que eram 'Os Três Mosqueteiros', do livro de Alexandre Dumas, que andava na minha cabeça desde a infância. Eu queria colocar o Alatriste frente aos Mosqueteiros.

—Como é esse encontro?

—Era juntar aquela França elegante, com o seu estilo de salão, ao lado daquela Espanha árida, suja e repleta de trincheiras. Questionei-me se seria capaz e comecei a escreve, e aqui está. Queria contrastar aquela França mais refinada, elegante, onde os espadachins faziam duelos em salões, com boa postura, onde o prestígio social era importante, com aquela outra Espanha, rude, austera, com os seus soldados do campo de batalha. Então, é por isso que o duelo entre o Atos e Alatriste é assim. O Atos luta ao estilo francês e Alatriste luta ao estilo espanhol. Dizem que quanto mais suja é a luta, mais duro é o lutador, certo? E Atos diz que este tipo luta à espanhola, não é de nenhum cavalheiro. E para Alatriste, a espada não é uma ferramenta elegante, é um instrumento para ganhar a vida.

—E nesse confronto entre Espanha e França, Portugal também está envolvido porque na altura estava sob domínio espanhol?

—Sim, isso durou 60 anos. Nessa altura, Portugal também fazia parte da Espanha, ou Espanha também era Portugal. E isto leva-me a algo que já disse antes e sublinho. O grande erro de Espanha, de Filipe II, de Filipe IV, foi não esquecer a Europa das guerras religiosas, onde perdemos tanto dinheiro e tantas vidas, e ter transferido a capital de Madrid para Lisboa. Poderia ter criado uma grande capital de um império atlântico e ultramarino. Isso teria nos dado uma enorme força. Ter-nos-ia tornado a todos mais poderosos, mais ricos e melhores em tudo. Mas não a monarquia sabia como, era cega. Não sabia como agradar à nobreza portuguesa. O rei não sabia como se fazer amado. Para ele, Portugal era algo distante e herdado. Não levou isto a sério, e isso foi um erro. O maior erro de Espanha.

—Continua a defender uma solução ibérica?

—Falava muito sobre isso com o Pepe [José] Saramago, que era um grande amigo meu, como sabe. Ele era um iberista convicto, como eu. Foi um grande erro. Consegue imaginar Lisboa como capital do Império Espanhol? Como teria mudado a história do mundo?

—Acredita nesta era em que a honra perdeu terreno, perdeu o seu valor, é importante lermos histórias como esta, onde a honra tem ainda grande protagonismo?

—Quando eu era jovem, fui educado a acreditar em muitas coisas: Deus, honra, pátria, bandeira, lealdade, amor eterno, todas coisas em que todos nós acreditamos. Depois, a vida tirou-me gradualmente muitas dessas palavras, deixando-me com muito poucas, como a dignidade, a coragem e a honra, mas é a honra entendida como lealdade. O Alatriste, que perdeu todas estas coisas como o seu autor, mata por dinheiro, é um soldado com remorsos, que certa vez desfigurou o rosto de uma mulher, com um passado duro e obscuro e conserva aquelas duas ou três palavras que o seu autor também conserva. É leal aos seus amigos e à sua maneira de compreender o mundo. Isso faz dele um herói muito moderno. Os heróis clássicos da antiguidade eram heróis de coração, heróis puros de bons sentimentos. O herói moderno é um herói sombrio, porque é consciente e lúcido.

—Vemos, contudo, nesta história que as mulheres mudam sempre tudo. Interferem com os heróis?

—Gosto de mulheres perigosas. Gosto de mulheres que mudam a vida dos homens. Desde criança, devido à minha educação e ao que li, nunca entendi as mulheres como submissas aos homens, como meros complementos. Compreendi-as de outra forma, como estímulo, como juízas, como testemunha, como inquisidoras e como um castigo para os homens. Nos meus romances, as mulheres são como são na minha vida. Tentei que fossem mulheres duras que te fazem dormir descansado, sabendo que te estão a observar com uma espingarda na mão. Mulheres cujo ódio, cuja inimizade, cujo ressentimento podem ser mortais. Suponho que seja porque, tendo lido sobre os Mosqueteiros, li sobre a Milady, a personagem dos Mosqueteiros, e este tipo de mulher marcou-me. Toda a minha vida procurei Miladys em todo o lado. Todas as mulheres da minha vida foram Miladys de uma forma ou de outra. A mulher submissa, a mulher obediente, nunca me interessou. Fui educado num mundo que exigia este tipo de mulheres, mas eu não queria este tipo de mulheres. O que eu quero são mulheres perigosas, mulheres em quem não se pode confiar, mulheres que nos possam apunhalar pelas costas, com quem tenhamos de dormir com um olho aberto, que possam estar à procura de veneno ou de uma faca para nos esfaquear. Este tipo de mundo que existe na minha vida real também está presente nos meus romances.

—Neste romance, assim como noutros da série Alatriste, tem um estilo de escrita diferente dos seus outros livros. Gosta de escrever com este tom, com este ritmo?

—A tradução que fizeram em Portugal é magnífica. É muito boa, é uma tradução muito cuidada e bem conseguida. Estou muito feliz porque, nas aventuras de Alatriste, a linguagem é muito importante. Se tivesse escrito um romance usando a linguagem da época, teria sido um romance arcaico. Teria de ter um tom intermédio que, embora moderno, respeitasse a essência da literatura clássica, a grandeza do teatro e o Século de Ouro espanhol. Assim, procurei essa linguagem intermédia que o tornasse eficaz, que fizesse o leitor acreditar realmente no que estava a ler. E, para minha agradável surpresa, as traduções para português, e esta em particular, são magníficas. Não é o meu tradutor habitual. É muito respeitador e muito cuidadoso. É um tradutor que escolheram pela sua elegância no domínio da linguagem, com um toque clássico.

—Há também uma parte importante no livro que são as ilustrações, que acrescentam algo mais à história?

—Claro. Eu cresci numa biblioteca que pertencia aos meus bisavós, onde havia antigos romances como os de Alexandre Dumas. Todos eles eram encadernados com ilustrações, como revistas antigas. Queria dar a esta série aquele ar de saga clássica, à moda antiga e pedi ilustrações. Por isso, digamos que tem um pouco daquela atmosfera dos grandes romances clássicos de série, aos quais gosto de pensar que este romance é uma péssima homenagem.

—Como estão as coisas na sua Espanha neste momento, com a crise migratória em Ceuta?

—A Espanha faz parte da Europa. A Europa é um continente em declínio. Quer dizer, Platão, Aristóteles, Cervantes, Camões, Queiroz, um a um, foram condenados à “morte”. A ignorância, a estupidez e o atual clima político estão a destruir tudo. Aquele Ocidente, aquela Europa que iluminou o mundo, que foi imitada até pelos seus inimigos e que moldou tão profundamente a história da humanidade para o bem e para o mal, está a desaparecer, está a ruir. O mais grave é que os bárbaros não estão a vir de fora. Dizem que são os mouros? Não são. Os turcos e os seus simpatizantes? Os russos? Não, não, não. Somos nós, os europeus, os espanhóis, os portugueses, os franceses, os italianos, os alemães, estamos a ser os próprios bárbaros. A falta de cultura, a ignorância, o desinteresse pela história está a provocar, a destruir e a desmantelar o conceito de civilização ocidental, que era muito importante. Mas é claro que, para ser um cidadão moderno, educado, democrático e culto, são necessários anos de escolaridade, educação familiar e leitura de livros sobre cultura. Para ser um fanático estúpido, bastam cinco minutos nas redes sociais. As pessoas acham mais fácil clicar nas redes sociais. Eu já faço parte disso, já disse que gosto, faço parte desse movimento. Mas depois, claro, este declínio intelectual é muito notório. Cada vez mais! Uma Europa, uma Espanha, um Portugal, que ignoram a sua História e os mecanismos culturais que os moldaram, não conseguem interpretar o presente. Quando surgem problemas como Ceuta, ou seja o que for, uma revolução ou um ato terrorista, os cidadãos veem-se indefesos, incapazes de compreender porque é que lhes retirámos os mecanismos que lhes permitiam compreender. Isto deixa os europeus indefesos contra o mundo que aí vem, e isso é muito perigoso. Para ser sincero, sou muito pessimista. Tenho 75 anos. Talvez uma pessoa mais nova seja mais otimista. Na minha idade gostaria de ser otimista, mas não acredito que as coisas vão melhorar.

—Como vê o futuro, então?

—É curioso porque nem sempre há uma solução. A História desenrola-se, acontece, há ciclos, os impérios ascendem e caem. O Ocidente está em declínio, está a cair. Não há solução. O mecanismo é a compreensão. Quando não se compreende, permanece-se... mas quando se compreende, pelo menos tem-se a clareza para saber porque é que as coisas acontecem. Por isso, que se lixe, vamos explicar às pessoas porque é que as coisas acontecem, que não existe uma única solução, que existem diferentes formas de encarar os fins. Vamos educar-nos para encarar o fim com dignidade, com honra, com coerência e estoicismo. Não há um mundo ideal. 

—Sim, mas é à procura de um ideal que os migrantes chegam à Europa. É o que acontece com aqueles que entraram de Marrocos em Ceuta. Estão errados? 

—Sonham com uma Europa que já não existe. A Europa que eles procuram, essa Europa ideal, já não existe como tal; o que existe agora é uma caricatura dessa Europa. Chegam a uma Europa que já não é o que imaginavam. Acreditam que a Europa é um lugar onde todos vivem bem, todos têm um carro, e isso não é verdade, já não é assim. Isso representa um perigo. Quando se chega com expectativas e estas não são correspondidas, isso gera ressentimento. Assim, aqueles que vêm para a Europa e não encontram aquilo que procuram, voltam-se contra essa Europa e contribuem também para a sua destruição. A frustração da desilusão é também muito perigosa, gera ressentimento e uma agitação social muito perigosa. Avizinham-se tempos muito difíceis para a Europa, e não creio que os políticos acuais estejam à altura do desafio.

—Nem o Pedro Sánchez?

—Não quero falar de Pedro Sánchez. Mas há outra questão. Há uma ou duas gerações, os políticos entravam na política com uma formação académica sólida. Eram juristas, economistas, historiadores, filósofos; tinham uma formação prévia que lhes dava peso intelectual. Agora, os políticos vêm dos partidos; são as alas jovens de partidos, portanto, já estão num partido desde os 18 anos, não conhecem o mundo e nunca trabalharam. O distanciamento da realidade é enorme. Existe uma separação entre a política e a realidade. Isto está a criar uma espécie de política autónoma e independente, dissociada da política do mundo real. Isso é ainda mais perigoso, e é por isso que sou tão pessimista.

https://rr.pt/especial/vida/2026/09/25/perez-reverte-nao-creio-que-os-politicos-atuais-estejam-a-altura-dos-tempos-dificeis-da-europa/486823/

'El problema final': una charla entre Arturo Pérez-Reverte y José Coronado



María José Solano - Milenio - 25/09/2026

La nueva miniserie de Netflix que se estrenó el jueves 24 de septiembre, dirigida por Félix Viscarret y producida por MOD Producciones, lleva a la pantalla uno de los juegos literarios más cinéfilos del escritor. Trece personas quedan aisladas por un temporal en un pequeño hotel de un islote próximo a Mallorca y una turista inglesa aparece muerta. Lo que parece un suicidio empieza pronto a parecerse demasiado a un asesinato. Y entre los huéspedes está Basil, un viejo actor que en sus buenos tiempos interpretó en el cine nada menos que a Sherlock Holmes y que ahora, en sus horas bajas, tendrá que demostrar si después de tantos años fingiendo ser detective aprendió algo del oficio. José Coronado es Basil; junto a él, María Valverde, Martiño Rivas y Maribel Verdú encabezan un reparto coral en el que también figuran Gonzalo de Castro, Cristina Kovani, José Condessa y Pepón Nieto.

Pero antes incluso del crimen está la atmósfera. Y ahí 'El problema final' juega una parte importante de sus cartas. La producción se rodó en varios lugares de la costa española, el centro de producción de Netflix en Tres Cantos (Madrid) y distintas localizaciones de Madrid y Toledo, con la magnífica fotografía de Daniel Sosa y un despliegue de decorados, mobiliario, atrezzo, maquillaje y peluquería concebido para reconstruir no sólo el aspecto de finales de los cincuenta, sino algo bastante más difícil: sus maneras. Cómo se vestía un hombre, cómo llevaba un sombrero una mujer, cómo se ocupaba una mesa, cómo se entraba en una habitación o se sostenía una conversación.

Y en esa reconstrucción el vestuario tiene una importancia extraordinaria. Lo firma Sonia Grande, una de las grandes figurinistas del cine español, y Peris Costumes participó proporcionando vestuario para la producción. No es un detalle menor en una historia que pretende recuperar deliberadamente la elegancia visual del cine clásico. Porque 'El problema final' es una novela de misterio, sí, pero también es una declaración de amor al cine que Pérez-Reverte vio de joven: hoteles elegantes, trajes impecables, humo de cigarrillos, mujeres con sombrero, conversaciones en salones y esa clase de personajes que todavía sabían que ponerse una chaqueta no consistía únicamente en meter los brazos por las mangas. De ahí que el verdadero desafío de la adaptación no fuera sólo averiguar quién mató a la joven Elisa Mander. Era conseguir que el espectador aceptara entrar durante cuatro episodios en ese mundo cerrado y suspendido en el tiempo. Para ello, Netflix ha puesto detrás de la serie una maquinaria técnica capaz de convertir ese hotel aislado por la tormenta en algo más que un escenario: en el tablero donde Pérez-Reverte coloca las piezas de su particular partida de ajedrez con el espectador.

Y en el centro está Coronado/Basil. Un actor interpretando a otro actor que pasó media vida interpretando a Sherlock Holmes y que, cuando ya creía haber dejado atrás sus mejores papeles, descubre que tal vez le queda uno: convertirse de verdad en el personaje que tantas veces fingió ser. Sobre ese juego entre literatura y cine, sobre la edad, los viejos modales, el vestuario, los decorados, Sherlock Holmes y el placer de volver al misterio clásico conversan Arturo Pérez-Reverte y María José Coronado. Les invito a que disfruten de esta charla, que ahora les presento como testigo (de cargo) de este encuentro.

—Cuando escribí 'El problema final' quería hacer una novela policial de toda la vida, pero jugando con una cosa: yo sé que el lector ha leído novelas policiales. Sé que conoce las reglas. Así que la propuesta era: tú sabes cómo funciona esto y yo también; vamos a jugar, vamos a hacernos trampas y a ver si me pillas.

—Y eso está muy bien trasladado a la serie, porque aquí no se trata de llenar la pantalla de acción. Al contrario. Lo que hay es una apelación constante a la inteligencia del espectador. Es como decirle: «Ven, vamos a resolverlo juntos». Desde que aparece el cadáver, el espectador empieza a sospechar de uno, luego de otro… Y esa es la gracia.

—Es el juego de 'Diez negritos', naturalmente. Todos reunidos en un lugar, todos sospechosos y un crimen que resolver. Pero había otra dificultad importante: en la novela está continuamente presente mi amor por el cine clásico. Leyendo puedes citar una película, recordar una escena, mencionar un actor. En una serie había que conseguir que todo eso estuviera en la imagen.

—Y está. Desde la historia hasta la producción, la fotografía, el vestuario, el maquillaje, la peluquería… El nivel era altísimo. Había un rigor extraordinario. Tú entrabas en aquella casa y no parecía un decorado. Los muebles, los cuadros, los carteles, cada objeto… Todo pertenecía realmente a aquella época.

—Eso me impresionó mucho. Uno de los problemas que suelen tener las películas de época españolas es que los actores van vestidos de época, pero se comportan como personas de hoy. La forma de hablar, de sentarse, de llevar una chaqueta, de ponerse una corbata… Aquí eso está cuidadísimo.

—Yo tenía un hombre que me vestía todos los días. Cuatro meses de rodaje y un tipo exclusivamente pendiente de mí. No me había pasado en la vida.

—Eras una especie de Luis XIV.

—Absolutamente. [Ríen]. Y querían mandarme a Londres para hacerme los trajes. Yo decía: «Pero ¿estamos locos?». Luego entendí por qué. Porque la ropa no parece un disfraz. Los personajes no van vestidos de época: llevan su ropa. Parece que esos trajes son suyos desde hace años.

—Eso es fundamental. Y hay detalles magníficos. Los sombreros que lleva María Valverde, por ejemplo, están hechos precisamente por una sombrerera que acostumbra a trabajar para la realeza. Sonia Grande ha hecho un trabajo extraordinario con el vestuario. Es una mujer que conoce y ama profundamente el cine y eso se nota.

—Y muchísimo. Hay momentos en que parece que estás viendo una película de Hollywood de los años cincuenta o sesenta.

—Especialmente el último episodio. El final es una preciosidad. Es Hollywood. Un homenaje al cine. Yo conocía perfectamente lo que iba a ocurrir y, aun así, cuando lo vi casi me emocioné.

—¿Casi?

—Bueno, no lloré, pero digamos que sentí la emoción del espectador inocente [Ríen].

—Eso ya es mucho viniendo de ti.

—Sí, porque no es fácil a mi edad y con mi curriculum… . Pero es que funciona. Y funciona, sobre todo, por tu personaje.

—El personaje es un bombón. Cuando me dijeron que era un actor en horas bajas pensé: «Bueno, empezamos bien…». [Ríe]. Pero luego empiezas a recorrer el camino con él y descubres algo mucho más bonito. Es un actor que lleva muchos años interpretando a Sherlock Holmes y al que el destino coloca en una situación en la que poco a poco empieza a fundirse con ese personaje. De pronto tiene que ser aquello que durante toda su vida solamente había interpretado.

—Y empieza a creer.

—Exactamente. Empieza a creer el hombre, no el actor. Y ahí aparece una ternura que me gusta mucho. Porque no es un tipo arrogante ni un listo que viene a resolverlo todo. Es un hombre que lleva encima sus fracasos, su pasado, sus horas bajas. Y, sin embargo, de repente la vida le ofrece una última oportunidad.

—Eso está en tu interpretación de principio a fin. La ironía, la bondad, la frustración y, sobre todo, esa especie de resignación fatalista del hombre que ha llegado a una edad en la que sabe que determinadas cosas ya no tienen retorno. Eso crea una enorme empatía con él.

—Espero que sí.

—La crea. El espectador te quiere desde muy pronto.

—Para mí había además algo muy divertido: interpretar a un actor que interpreta a Sherlock Holmes. Es un personaje dentro de otro personaje. Como actor, normalmente buscas referentes para construir un papel y, evidentemente, uno de ellos eras tú.

—Qué peligro.

—[Ríe]. Me refiero a tu imaginario de personajes quienes por cierto, siempre o casi siempre participan de algo tuyo, claro. Aquí necesitábamos a un caballero de porte espigado y caminar elegante; se trataba de recuperar las maneras de aquel cine, aquellos actores y aquella época y traerlas a la nuestra de forma natural.

—Félix Viscarret, además, ha hecho un trabajo espléndido de dirección de actores.

—Extraordinario. Llegaba con todo estudiado, preparado, sabía dónde colocar la cámara, qué quería conseguir en cada escena. Y es muy exigente. Si había que repetir veinte veces, se repetía veinte veces. Pero al mismo tiempo es tremendamente educado, muy amable con los actores, te da confianza. Yo volvería a trabajar con él siempre.

—Y se nota también en la manera de hablar. En la dicción.

—Ahí hay una diferencia generacional. Los actores jóvenes buscan mucho la organicidad, y me parece estupendo porque es la primera regla: tienes que resultar verdadero. Pero hay algo que no podemos olvidar: al espectador le tiene que llegar lo que dices. Puedes ser todo lo orgánico que quieras, pero si no se entiende lo que estás hablando, pues entonces tenemos un problema.

—Y además estamos en los años sesenta. No se hablaba igual, no se caminaba igual, no se trataba igual a la gente.

—Eso a mí me producía mucha nostalgia durante el rodaje. Había detalles de educación, de cortesía, de comportamiento que hoy prácticamente han desaparecido. Gestos muy pequeños, pero muy bonitos.

—Precisamente por eso llevamos a un antiguo embajador, amigo mío, para asesorar en protocolo. Mi miedo era que los jóvenes no supieran moverse como se movía la gente entonces. Cómo se entraba en una habitación, cómo se saludaba, cómo se estaba sentado en una mesa. Son cosas que parecen insignificantes, pero si fallan destruyen una película de época.

—Y aquí no fallaban.

—No. Aquí está impecablemente cuidado.

—También funciona muy bien el choque de generaciones. Yo al principio tenía cierto miedo con la relación con Martiño Rivas (Foxá, en la serie, una especie de Watson). Pero enseguida vi que precisamente esa diferencia enriquecía la historia. Son dos generaciones y dos maneras de entender las cosas, y creo que la química funciona muy bien.

—Funciona estupendamente.

—Y para mí este papel fue un regalo. Cuando empecé a leerlo pensé: un actor en horas bajas, estupendo… Pero según avanzaba comprendí que tenía entre las manos uno de esos personajes que uno desea que le lleguen a esta edad. Pensé que sí, que quizá yo era uno de los actores adecuados para hacerlo.

—Estabas claro desde el principio.

—Pues menos mal. [Ríe].

—Hasta en ese fragmento inicial haciendo de Holmes estás estupendo. Pero lo importante es que sostienes la serie. Todos están muy bien, el reparto es magnífico, pero tú eres el hilo. Tu personaje lleva al espectador de la mano durante los cuatro episodios.

—Gracias. Y mira que sé que tú no eres fácil.

—Si hubiera estado mal te lo habría dicho.

—Eso es exactamente lo que me preocupa. [Ríe].

—Pero además hay algo que agradezco mucho de la adaptación. El cine y la televisión tienen exigencias distintas de las de una novela. Hay transformaciones que un autor tiene que aceptar porque el soporte es diferente. Y yo las acepto. Pero esta serie, incluso con esas alteraciones necesarias, mantiene una fidelidad asombrosa al espíritu de la novela. Ojalá todas las adaptaciones que se han hecho de mis libros hubieran sido tan fieles.

—¿Y no quisiste participar en la adaptación?

—Aprendí hace mucho tiempo que el autor cobra y desaparece.

—Sabia decisión.

—Absolutamente. [Ríe]. Tú entregas la novela y luego dejas trabajar a quienes saben hacer cine y televisión. Otra cosa es que estés disponible si te preguntan algo. Pero no puedes estar detrás diciendo: «Eso en mi libro no era así». Una novela es una novela y una serie es una serie.

—Aunque aquí reconoces perfectamente tu novela.

—Sí. Y eso es lo extraordinario. Reconozco el tono, reconozco los personajes y reconozco ese amor por el cine que estaba en el libro. Incluso el hotel parece verdadero.

—Es que lo parece porque prácticamente lo era.

—Me llevé hasta el cartel publicitario del hotel.

—¿Te lo llevaste?

—Lo tengo en casa.

—Eso significa que te gustó de verdad.

—Mucho.

—Para mí también tiene algo especial haber llegado hasta aquí contigo. Ha llovido mucho desde 'El Coyote'. Luego coincidimos de alguna manera en 'Oro', con Agustín Díaz Yanes, y he hecho también el audiolibro de 'La Reina del Sur'. Así que encontrarme ahora con este personaje ha sido un honor.

—Pues el honor ha sido mío.

—Ahora solamente falta que llegue el día 25 y que la gente la vea. Porque creo que van a disfrutar mucho. No es una serie que trate al espectador como si fuera idiota. Le pide que mire, que escuche, que sospeche y que piense.

—Esa era la idea desde el principio. Volver al viejo juego del misterio: aquí tienes un cadáver, aquí tienes a los sospechosos y aquí tienes las pistas. Tú eres inteligente y yo también. Vamos a ver quién engaña a quién.

—Y sin explosiones.

—Sin explosiones.

—Eso hoy casi es revolucionario.

—Casi.


También publicado en Italia:

https://www.ilgiornale.it/news/serie-tv/il-giallo-di-perez-reverte-diventa-una-serie-tivu/

17 agosto 2026

«La guerra ha sido el factor que más ha condicionado mi vida»


Entrevista de María José Solano - Ethic - 17/08/2026

Más que una entrevista, esta charla es, en realidad, la conversación que quedó pendiente después de editar el libro. El proceso de edición de ‘Enviado especial’ (Alfaguara, 2026) me había obligado a convivir manejando una gran cantidad de material, por lo que después de casi un año leyendo crónicas, ordenando guerras, fechas, muertos, hoteles y personajes, me resultaba extraño enfocar una entrevista al uso. Había demasiadas capas de trabajo acumuladas: el reportero que fue, el novelista que vino después y también mi propia mirada; la de quien había tenido que reconstruir todo ese itinerario desde los periódicos viejos, las miles de fotos y las crónicas originales. El recurso me permitía ordenar el aire de la escena, devolver perspectiva y mostrar que, además de las palabras, también estaban ocurriendo otras cosas: silencios, fatigas, ironías, recuerdos que aparecían antes que las respuestas. Por eso decidí, a la hora de escribir esta charla con el autor, alejar mi voz y mirar desde fuera. De alguna manera, esta mirada externa funciona como el último gesto de edición del libro. Después de pasar tantos meses dentro del campo de batalla revertiano, quizás era la única forma posible para mí de contar.

—Escribiendo novelas durante toda mi vida, la guerra ya había ido goteando por todas partes —dice Arturo Pérez-Reverte, acomodándose apenas en la silla—. Había goteado en mis novelas, sobre todo en 'El pintor de batallas', en 'Territorio comanche', y también en los artículos que llevo escribiendo desde 1993. Por eso, la idea de una biografía me parecía superflua.

María José Solano sonríe.

—De hecho, nunca la has escrito.

—Nunca he querido hacer una biografía. Está repartida por toda mi obra, tanto periodística como narrativa. Pero hubo una presión amistosa, de editores, de amigos… Así que permití que el libro existiera. Yo no lo he hecho. He dejado que lo hicieran. No participé en la selección ni en los prólogos. Ni siquiera lo he leído entero.

—Eso precisamente te iba a preguntar. ¿Ni siquiera por encima?

Reverte niega lentamente.

—Muy poco. Fragmentos. A veces ni completos. Apenas una quinta parte.

La periodista baja la vista al ejemplar.

—Lo curioso es que el epígrafe habla de una biografía. Y tú nunca habías querido reunir los textos de guerra, aunque sí existieran otros volúmenes de artículos. ¿Crees que ese subtítulo es justo?

Reverte tarda unos segundos en responder.

—Ahora creo que sí. Nunca me lo había planteado hasta hace dos o tres semanas, cuando me vi frente a este libro. Y comprendí que ahí estaba mi biografía real. La guerra ha sido el factor que más ha condicionado mi vida. Esta selección permite levantar un mapa cronológico y biográfico de lo que he sido. No es una biografía convencional. Es más fiel que una autobiografía escrita deliberadamente.

—Porque aquí están las fuentes directas.

—Exacto. Hasta ahora el lector tenía la memoria mezclada con literatura y con cuarenta años de distancia. Aquí está el barro original.

Solano asiente.

—Y, sin embargo, hay algo más. En el 'XL Semanal' aparecía otra cosa: memoria, personajes, recuerdos… Ese género híbrido tan tuyo. Mi pregunta es si has sido capaz de mirar con objetividad a aquel reportero.

Reverte sonríe con cansancio.

—No lo he releído apenas. Pero sí he comprendido algo. Antes esa biografía estaba dispersa entre muchas cosas; aquí la guerra queda concentrada. Y eso la vuelve brutalmente visible. Me he dado cuenta de hasta qué punto la guerra construyó al hombre que soy ahora.

—¿Y crees que esos artículos tendrían hoy el mismo valor si no hubieras sido novelista después?

—Para mí no lo sé. Pero para el lector, creo que sí tiene valor. Llevo cuarenta años publicando novelas. Cualquier lector mío encontrará aquí claves fundamentales. Escenarios, personajes, colores, soledades, violencia… Verá que cuando hablo de ciertas cosas no hablo desde la teoría ni desde los libros. Hablo desde la experiencia.

Hace una pausa.

—Comprenderá de dónde sale todo.

La periodista sonríe.

—Durante los meses de trabajo leyendo periódicos enteros para preparar esta edición, percibí de manera muy reconocible un estilo propio. Incluso en las primeras crónicas en 'La Verdad' de Murcia, antes de ser periodista, ya hay una voz distinta. Literatura, memoria… El pasado explicando el presente. ¿Eras consciente de eso?

Reverte se encoge de hombros.

—Yo llegué al periodismo con muchos libros leídos. Siempre digo que cuando hay literatura en un reportaje suele haber mal periodismo. Y cuando hay periodismo en una novela suele haber mala literatura. Pero es cierto que yo ya llevaba una formación literaria muy intensa encima. Había leído mucho para mi edad. Eso se nota inevitablemente en la sintaxis. Y también en la manera de mirar.

—No todos los periodistas tenían esa mirada.

—No lo sé. Lo que sí sé es que eso no me hacía mejor ni peor. Me daba un tono. Un sello personal. Desde el principio, el lector atento podía intuir un poso de lecturas.

Solano sonríe.

—Hay un momento singular en una crónica donde dices sentirte como Fabrizio del Dongo en Waterloo. 

Los ojos de Reverte brillan, divertidos.

—Mi gran ventaja, desde la guerra de Chipre en el 74, fue que proyectaba mis lecturas sobre lo que veía. Cuando veía a un soldado despidiéndose de su mujer, veía a Héctor y Andrómaca. Cuando veía a un padre con su hijo, veía a Príamo llevando el cuerpo de Héctor. Los libros eran mis referencias. Me ayudaban a ordenar narrativamente el caos.

—Y esos libros estaban siempre en la mochila.

—Siempre.

—¿Qué libros recuerdas especialmente?

—Plutarco. Jenofonte. Tito Livio. Stendhal. Thomas Mann. Procuraba viajar con obras completas en uno o dos volúmenes porque necesitaba libros que duraran semanas o meses. En Eritrea llevaba a Jenofonte. La montaña mágica viajó conmigo media vida. 

Se ríe. 

—Llegar a un hotel miserable, sacar el cepillo de dientes, el jabón y el libro… Eso era mi hogar.

—¿Y el Plutarco que salvaste en Eritrea?

Reverte asiente lentamente.

—Tuve que tirar casi todo para cruzar a Sudán. Pero el Plutarco sobrevivió. Lo tengo todavía.

María José Solano lo observa unos segundos antes de continuar.

—Sin embargo, cuando haces referencia a tus maestros hablas tanto de escritores clásicos como de reporteros franceses.

—Yo quise ser reportero de guerra desde los catorce años. Me preparé para eso. Buceador, paracaidista, lector obsesivo. En Francia existía el gran reportaje internacional. 'Paris Match' era extraordinario. Yo estudiaba aquellos nombres. Quería ser como ellos.

—¿Y luego los conociste?

—A algunos, sí. Llegué a las guerras siendo un pardillo absoluto, pero conocía sus trabajos. Eso me abrió puertas. Me acogieron muy bien. Hice más amigos franceses e italianos que españoles.

La periodista cambia ligeramente el tono.

—Leyendo el libro hay lugares que aparecen constantemente: el Sáhara, Líbano, Eritrea…

—Porque ahí me hice periodista.

—¿Qué tenía el Sáhara?

—Todo. Aventura, adrenalina, formación. Allí aprendí la crónica diaria, las fuentes, las mentiras, los contactos, la supervivencia profesional. Chipre fue mi bautismo. El Sáhara, mi escuela. El Líbano me enseñó el horror y la complejidad humana. Eritrea fue el límite. Sarajevo, la despedida. Pero en ese momento yo ya escribía novelas y me iba bien. Pude elegir. Siempre tuve mucha suerte.

Baja la voz.

—Empecé muy joven y en unos pocos años maduré de golpe.

—Y también descubriste la ética del oficio. 

Reverte sonríe con ironía. 

—No había ética. En 'Pueblo' aprendí que la ética era relativa. «No dejes que la realidad te estropee un buen reportaje». Cada periodista fabrica su propia ética. Yo tenía límites claros, pero aprendí todos los trucos del oficio.

—¿Qué aprendiste exactamente?

—Que un periodista debe dar un paso más. No limitarse a mirar. Intervenir ligeramente en el hecho para obtener algo distinto. Sin falsearlo. Pero empujándolo un poco.

—La osadía.

—No solo, pero algo de eso había, claro. Ahí nació mi manera de trabajar. 

La conversación avanza lentamente hacia otro territorio. 

—En los años 80 aparece algo nuevo en tus crónicas: el cansancio. El periodista empieza a mirarse a sí mismo. Aparece el futuro novelista.

Reverte asiente.

—Sí. Sin darme cuenta empecé a acumular material humano, emocional, narrativo. No hacía crónicas desde el «yo», pero comprendí que también era interesante contar cómo veía el reportero el miedo de la gente, el cansancio de los soldados, los rostros de la derrota…

—Y aparece el héroe cansado.

—Pero el cansancio era mío.

El silencio se instala unos segundos.

—Comprendí que llevaba veinte años contando guerras y que el mundo seguía igual. Ni una bala menos. Ni un muerto menos. La misma guerra siempre. Entonces pensé: «Al menos esto me ha cambiado a mí». Y de ahí sale el novelista.

Solano lo mira fijamente.

—¿Por eso vuelves siempre al Mediterráneo?

Reverte sonríe y asiente en silencio.

—Porque Europa, la Europa en la que yo creí, ya no existe. Soy un apátrida europeo. Mi única patria verdadera ha terminado siendo el Mediterráneo. Caótico, mestizo, violento, luminoso. Siempre estuvo ahí.

—¿Y la nostalgia? 

Niega con la cabeza.

—No puedo sentir nostalgia de aquel periodismo porque ya no existe. Nosotros éramos una tribu. Competíamos entre nosotros. Ahora compites contra drones, móviles, satélites y redes sociales. Todo eso terminó.

La periodista cierra lentamente la Moleskine.

—Siempre hablas de remordimientos. ¿Con qué soñabas después de las guerras?

Reverte tarda en responder.

—Con hoteles vacíos. Con calles oscuras. Con aeropuertos. Con taxis que no llegaban nunca. Curiosamente, durante la guerra apenas soñaba. Quizá porque la pesadilla ya estaba afuera.

—Y el miedo.

—El miedo siempre tiene para mí la misma imagen: un amanecer gris y kleenex blancos atrapados en unos arbustos. 

—¿Y la felicidad? 

Esta vez sonríe de verdad.

—Salir vivo de Sarajevo. Sentarte al sol después de semanas. Comer caliente. Que no te disparen. Eso era la felicidad absoluta.

Solano hace una última pregunta.

—¿Y la foto más importante?

Reverte le sostiene la mirada.

—La del etíope muerto mostrado como trofeo: Meik-mi uan photo. Ese día comprendí que era capaz de mantener la cabeza fría en medio del horror. La foto era perfecta técnicamente. Y estoy orgulloso de ella, no por el horror que muestra, sino porque significa que aquel día pasé la prueba.

Luego guarda silencio.

—Y porque seguí vivo.

https://ethic.es/entrevistas/entrevista-arturo-perez-reverte-enviado-especial

26 julio 2026

«Tener como compañera a la muerte te vuelve lúcido»


Jesús García Calero - abc.es - 26/07/2026

Fue un encuentro frugal. A la sombra de una incipiente amistad. Andrés Roca Rey compartió una conversación con Arturo Pérez-Reverte, de la que fuimos testigos. La casa del escritor se abrió como un pasadizo secreto. La figura peruana hizo el paseíllo entre miles de libros y la colección de sables del autor de 'Alatriste' hasta llegar al lugar elegido, en un rincón umbroso de la nutrida biblioteca. El matador caminaba en silencio junto al rumor incesante de los libros y la molicie de las hojas afiladas de las viejas espadas. Iba concentrado. Alguien que pone su vida en riesgo en el espectáculo único de los toros parecía un poco abrumado y, a la vez, decidido a una conversación a tumba abierta.

Sentimos que a ambos les importaba el resultado. La sinceridad, el tono de confesión, alcanzó cotas que a muchos les parecerán extrañas. Los espectadores de 'Tardes de soledad', la película de Albert Serra, ya nos habíamos asomado antes a un momento único de incertidumbre y ensimismamiento de Roca. Por eso este es un encuentro lleno de poder simbólico, donde se cruzan las voces del matador y del maestro de esgrima; el joven héroe traba plática con el veterano reportero de mil guerras.

Ambos portan heridas, no todas simbólicas. Viejas cicatrices con las que tienen intimidad. Van a hablar del peligro, del riesgo que se asume y el que no se sabe; del miedo, de la muerte rondando y de la salvación, si hubiera; de la vida sentida, de la insípida, del público, de la sociedad, de los abismos y del sentido y el sentimiento de la vida. Pérez-Reverte es anfitrión y actúa espontáneamente, preguntando al torero con pulso del periodista, directo al grano:

—Hay un momento de 'Tardes de soledad', cuando vas en el coche camino de la plaza, donde la cara de concentración que llevas no es igual que cuando vuelves. Te hablan y vas como ido, como si no oyeses. Yo conozco esa cara, la he visto muchas veces cuando iba a algún sitio duro, de mucha candela, con mis compañeros de la tele. Ellos tenían la misma expresión. Callados, concentrados. Supongo que es la cara de todo ser humano que va a enfrentarse a un momento importante en la vida. Como si te desligaras del mundo y te encerraras en ti mismo. ¿Es correcta mi apreciación?

—En esos momentos es cuando más interiorizas y estás más metido dentro de ti. No es que esté ido, estoy preparando lo que viene. Y, obviamente, también muy preocupado. Yo creo que la gente que pasa miedo, los corredores de Fórmula 1, los soldados, los toreros, o gente que está en un mal momento de salud, tienen eso en común.

—A veces la palabra miedo, tú la has dicho, no es exacta. Hay una concentración, una tensión expectante, a ver qué va a ocurrir, cómo voy a salir de esto, que el pitón roza la femoral. Sólo después piensas: qué cerca estuve…

—Sí, sí. Yo siento mucho miedo.

—¿Antes también?

—Sí, yo siento miedo siempre. Después me relajo un poco y digo: «¡Uf!, hay que ver las cosas que han pasado». Al fin y al cabo, el toreo es un arte, estás toreando todos los días prácticamente, y hay días que te levantas y no entiendes el toreo. No entiendes, ni sabes, ni siquiera quieres torear a veces. Es en ese momento cuando más miedo me entra porque, digo, me voy a poner delante de un toro, no siento nada, y me estoy jugando la vida. Es muy duro. Me pasó en 2023, que no sentía delante del toro, y en 2021 también. Tienes que hacer como si sintieras, pero sin sentir. Y es una pena, la verdad, que te pase algo sin sentir. Eso es jodido. Ahora bien, no hay nada más bonito y más libre que cuando sientes mucho, cuando tienes una ilusión, cuando tienes una meta entre ceja y ceja y vibras por dentro. Ahí te da igual hasta la propia muerte.

—Me pregunto muchas veces a qué se tiene más miedo, ¿a la cornada o al fracaso?

—Si no estoy preparado psicológicamente, mi mente está confundida y le tengo más miedo a la cornada. Si estoy mentalizado, me da más miedo el fracaso. Más que la oreja, o que escriban bien o mal de ti, el peor fracaso es cuando todo lo exterior está bien, pero tu interior no lo está. Ese es el fracaso más jodido.

El escritor asiente, lo escucha. Se hace un breve silencio.

—¿Alguna vez has pensado mirando al toro: «Este hijo de puta me va a matar esta tarde»?

—Delante del toro, no. Que me va a coger, sí, pero que me va a matar, no. Antes de torear, sí. He llorado dos veces vistiéndome de torero, pensando en la muerte, asumiéndola. En el mundo del toro vives como en una continua montaña rusa de emociones. Por eso, tienes que preparar cada día más al hombre. El hombre se va alimentando de lo que hace el torero, pero llega un punto en que si el hombre no está preparado, el torero y el hombre se hunden y terminan fracasando los dos.

Ante la sinceridad de Roca Rey, Reverte se crece, insiste, conecta.

—Cuando yo estaba en las guerras, a veces hacía cosas porque me estaban mirando o porque sabía que los espectadores lo iban a ver. A lo mejor si hubiera estado solo no lo habría hecho. ¿Hasta qué punto te hace ser valiente el sentirte mirado?

—En un tentadero muchas veces he tenido valor y solamente estaba mi cuadrilla; no tenía que demostrarles nada y he dado un paso más porque yo interiormente lo necesitaba. El valor también sale para demostrar algo al público, porque muchas veces te sientes incomprendido. Lo importante es que el valor salga no por lo exterior, sino desde dentro, porque te lo quieres demostrar a ti y eres feliz haciéndolo.

—¿Ocurre también en la plaza que el público no lo ve, pero tú sí sientes lo cerca que ha estado?

—Sí, lo veo mucho en compañeros con los que estoy toreando. Hay un momento en que te relajas un poco cuando estás en el callejón. Y ves un compañero pasándose un toro muy cerca, o viendo que está al borde de que lo coja y ves cómo le da igual; esas cosas, la verdad, impactan. Y lo bonito también es que ellos sienten lo mismo contigo. Cuando estás delante del toro, no sé si es la adrenalina o si estás como en un éxtasis y no te fijas tanto en esos pequeños detalles que pueden cambiar tu vida, o que pueden acabar con ella. Siento que nos admiramos. Y no solamente admiro a los matadores, también a los subalternos, a los ganaderos, a todos.

—¿Usted cree que está mal pensar tanto en la muerte?

—No. Al contrario, creo que es muy saludable. Tener la muerte presente como compañera, sabiendo que en cualquier momento un semáforo en rojo, un virus, una bala, un resbalón en la bañera, una embestida del toro, puede acabar con todo, te mantiene lúcido, despierto, atento. Pensar en la muerte a menudo, no de una manera psicopática, sino de una manera racional y serena, te ayuda a vivir mejor porque estás todo el tiempo preparado. Yo he visto morir a mucha gente. Cuando un tío muere con cara de sorpresa, pienso que no ha comprendido nada. La muerte es una compañía habitual, educativa. Te hace más cauto, no te relajas. Yo soy marino, paso mucho tiempo en el mar. El mar es como un toro, el mar es imprevisible. El mar, de pronto, derrota para acá, derrota para allá, te la puede jugar, siempre que te descuides te puede matar, como el toro. Y la certeza de la muerte justamente es lo que te mantiene lúcido y despierto. Tenerla como compañía natural es positivo. ¿Qué opinas tú?

—Lo mismo. Hay gente que dice: «No, yo no quiero pensar en la muerte». Creo que la muerte es lo que lo que es; simplemente muere el cuerpo. Yo sí creo en la eternidad.

—Entonces, tú tienes menos mérito porque crees que vas a ir al cielo. Los demás lo tenemos peor.

—Creo que somos energía. Estamos aquí y tenemos muchos propósitos. El propósito de ser torero, escritor, la familia.

—Los hijos te harán más cobarde cuando los tengas. Pero sigue...

—El verdadero propósito de la vida, más allá de todo esto, es preparar el alma para ese día de morir. Me he dado cuenta de que las personas que viven preparando el día de su muerte, o que son conscientes de que en cualquier momento puede llegar eso, se van en paz.

—Hace ya 20 años hice un reportaje con Espartaco. Me fui con él durante dos semanas para acompañarle en todas las corridas. Juan es un tío estupendo, me cayó muy bien. El reportaje lo titulé 'Los toreros creen en Dios' porque me decía Juan que «me hace falta», con ese acento que tiene. Y yo supongo que creer en Dios, tener esa fe, ayuda, da una serenidad especial.

—¿Usted cree en Dios?

—No. En la plaza a lo mejor está más cerca, pero donde yo estuve Dios estaba muy lejos.

El torero enarca levemente las cejas.

—¿Cree que cuando termina la vida se acaba todo?

—No se acaba todo. Se acaba mi vida.

—¿Y el alma? ¿Y los fantasmas?

—La guerra me quitó muy joven esas cosas. Los fantasmas son la memoria. Los fantasmas los llevo conmigo, los fantasmas de los remordimientos, de las cosas buenas, de las malas. Las cobardías, las claudicaciones, también los heroísmos y las heroicidades, eso nos acompaña toda la vida. Y los amigos muertos. Ahora, con 75 años, ya pienso más en los amigos muertos, las cosas perdidas, las cosas imposibles, las cosas olvidadas, las cosas que ya no van a poder ser… Pero voy con mucha serenidad. No he creído nunca que hubiese otra vida después. O lo dejé de creer muy pronto. Cuando has tenido una vida como debes tenerla, que has hecho cosas que están bien, has conocido a personas importantes, has sido bueno siempre que has podido, has sido malo lo imprescindible, has sido lo cruel que tenías que ser, has sido generoso... llegas al final sin necesitar a Dios para morir con serenidad. Ese es mi planteamiento. Pero respeto, jamás me he burlado de los sentimientos...

—Hay que tener la mente muy fuerte para eso.

—Bueno, yo empecé muy joven, yo fui a la guerra con 20 años. La guerra es brutal y te lo borra todo. Yo tuve que reconstruirme. Cuando fui a la guerra, yo era un chico que había leído mucho, con unas ideas románticas sobre el mundo, la religión, el amor. Todo eso quedó demolido por completo. Tuve que rellenar los huecos con otras cosas: lealtad, amistad, dignidad, y con eso me fui arreglando. Fue un proceso de demolición muy grande.

Roca está como en trance:

—¿Nunca fue a un psicólogo?

Reverte se sorprende. Apunta una sonrisa, pero de pronto levanta los ojos a las estanterías.

—No, nunca. Mis psicólogos son estos, los libros. Cuando tengo algún problema de cabeza, me lo solucionan.

El escritor demuestra también que sabe dar una larga cambiada:

—¿Y tú, al enfrentarte a la muerte de una manera tan directa, tan próxima, has tenido ideas previas que se tambalearan?

—Sí, sí.

—¿Qué te ha enseñado ese cuerno a un palmo de la femoral?

—Que por los huecos de la cornada dicen que se va el valor, y es verdad. Cada día cuesta más trabajo.

—¿Cuantas más cornadas más trabajo cuesta ser valiente?

—Cuesta más trabajo, no solamente por tus cornadas, también por las que ves. En 2016 lo pasé fatal. Corté cuatro orejas en Arévalo, me había sentido muy bien, y cuando iba a dar la vuelta al ruedo, El Juli se me acerca y me dice: «Andrés, ha cogido un toro a Víctor Barrio, intenta no dar la vuelta al ruedo». Le digo: «¿Pero por qué, si aquí cogen a la gente?» Lo miro otra vez y le digo: «¿Lo ha matado?» Y me dice: «Sí». Y se me cayó el mundo. Tuve un apoyo muy grande con mi hermano. Recuerdo una frase que me dijo: «En las curvas, cuando todo el mundo deja de acelerar, es cuando más tienes que hacerlo para distanciarte del resto». Y eso intenté hacer y la verdad es que fue una buena temporada, cuando rompí como matador de toros. También un novillo mató a un amigo en un pueblo del Perú. Me entró una pena tremenda, pensaba que era porque no había un buen hospital. Con esto me di cuenta de que sí: en España, con médicos buenos, también se va un hombre. Y me di cuenta de que esto tenía una seriedad tremenda. Al año siguiente, en 2017, mata un toro a Iván Fandiño. Me pasa más o menos lo mismo. Voy a coger la oreja y me dicen: «No des la vuelta al ruedo porque un toro ha matado a Fandiño». Y eso sí que me reventó. Me reventó totalmente. Llegué a Badajoz, me cogió un toro entrando a matar. Me pegó una cornada interna y me hizo pensar muchísimo. Llegué a Pamplona, me pegó otra cornada otro toro entrando a matar. Se me partió la espada las dos veces, en Badajoz y en Pamplona. Y ahí sí fui hombre muerto mentalmente.

El escritor mira al matador con mayor concentración a medida que avanza esta larga confesión, su cuerpo se incorpora imperceptiblemente hacia Roca, que continúa:

—Estaba fatal. Me acuerdo que entraba a ver mi cuenta del banco y decía: «¿Con esto seré capaz de vivir toda mi vida?» Me quería retirar. Reaparecí en Santander con El Juli, que estuvo increíble. Yo decía: «Este hombre, con 20 años de alternativa, con todo lo que tiene, con todo lo que ha conseguido, y yo estoy en mi segundo año de alternativa, yo soy una mierda. Estoy fatal, yo no puedo seguir aquí». Veía a Perera también, toreábamos una corrida de Garcigrande, y se echaba el capote a la espalda en los medios, y yo me decía también: «Este hombre tan grande y sigue haciendo estas cosas después de tanto tiempo. Yo no soy capaz». Me fui de esa corrida reventado. Toreé en Azpeitia, plaza a la que nunca regresé. Tengo un recuerdo muy malo porque cogió un toro a Curro Díaz; Perera también toreaba y estuvo increíble. Y yo fui incapaz. Incapaz porque mi corazón, mi mente, mi yo no podían. No podía estar delante del toro. Lo único que quería era irme a mi casa, pero no a la de aquí, sino a la de Perú y ponerme a estudiar. Era mi segundo año de alternativa y tenía 19 años. Ese mismo día, en Azpeitia, le dije a Viruta, mi banderillero de confianza de siempre: «Me voy a retirar. Yo no aguanto más».

Hay un silencio impresionante. Se les oye respirar. Lo rompe el escritor.

—¿Y qué cambió?

—Mi hermano Fernando me dijo: «Ven a la casa». «Fernando, voy a llegar a las cinco de la mañana, vas a estar dormido. No me hagas ir por gusto». Pero fui. Cuando llegué, solo me dijo que diese una vuelta por la casa. «¿En serio me has hecho venir y no vas a hablar conmigo?». Insistió: «Que te des una vuelta por la casa». Me fui a mi cuarto. Me fui a la lavandería, a la cocina. Me fui al jardín, donde me embarraba cuando jugaba a ser torero. Y me fui acordando de muchas cosas de mi niñez y de las verdaderas ilusiones que tenía. Llegué al bar, lo abrí y pensé: «Vaya pedazo de fiesta de fin de temporada que tiene». Y salí de mi casa renovado, ya tenía una ilusión. Si me retiraba, me iba a arrepentir. Y desde ese momento en que lo pasé tan mal, nunca más el dinero ha sido una prioridad para vestirme de luces.

—Eres una figura, ganas dinero, te querrán las chicas guapas. Lo que te voy a decir no te va a gustar: de vez en cuando debe morir algún torero. Creo que únicamente la muerte de un torero de vez en cuando, y lo vas a entender porque eres un tío inteligente, justifica todo lo demás. El eje en torno al cual gira la magia de la Fiesta, la grandeza de la Fiesta, la gloria de la Fiesta, lo legendario de la Fiesta, es justamente que los toreros pueden morir.

—Totalmente de acuerdo.

—Si un torero no muriera nunca, sería un festejo más. Es trágicamente paradójico, ¿no? Pensé que no te iba a gustar.

—Totalmente de acuerdo, y eso me hace irme al principio de la conversación. Muchas veces uno no siente y torea, y eso da una pena tremenda porque te puede pasar algo, Yo intento sentir, y sentir muchísimo, y no solamente delante del toro, sino en la vida. Muchas veces me vuelvo loco porque no siento como yo quiero. Necesito sentir muchísimo, cada instante, cada faena, cada despertar… Porque quiero estar preparado, quiero asumirlo en paz. Por si me tiene que pasar a mí también. El otro día conversaba con Luisma (su apoderado), era uno de esos días que no me sentía bien y le decía que no me gustaría que me matara un toro sin sentir. Si estoy sintiendo, te prometo que si tiene que pasar, no me importaría.

—Te entiendo perfectamente.

—No solo un torero lo tiene que aceptar. Todos tenemos que prepararnos para ese día, sentir mucho hasta que llegue ese día, para irte tranquilo. Cuando no estoy preparado y no siento, me vuelvo loco.

—Cuando yo iba a la guerra y volvía, después de estar dos meses en Sarajevo, nunca conseguía estar de vuelta del todo. Había distancia.

—¿Con la familia?

—Con todos, hasta con las personas más íntimas. Todavía me ocurre, y fíjate que hace casi cuarenta años que no voy a una guerra. No es que te sientas superior, sino que te sientes como fuera. O sea, no arriba, sino a un lado. Nunca consigues sentirte parte total del mundo en el que te estás moviendo, como si ese que has hecho allí, en la plaza, en la guerra, te dejara ya un espacio que nunca más vas a poder salvar del todo. ¿Te sientes así?

—Sí, es verdad que muchas veces intento encajar.

—¿Crees que algún día volverás a ser normal? Yo creo que nunca se vuelve a ser normal.

—Yo muchas veces quiero encajar y veo a la gente conversar de cualquier cosa, se meten en la conversación y digo: «Uf, qué suerte». Yo muchas veces no puedo, intento disimular... Me dicen que tengo TDAH, yo no sé si lo tenga y nunca me hice pruebas, pero a veces me quedo así, en mis cosas, como aparte. Intento relacionarme con personas que me aporten. Creo que cuando vives en una montaña rusa, con estos vacíos, es importante relacionarse con personas normales.

—Pues este veterano, que no fue torero sino reportero, te va a hacer un pronóstico: nunca lo conseguirás del todo. Oirás hablar de cosas que a la gente le importan mucho, serás correcto y educado, pero algo de ti estará fuera de todo eso. Y eso va a ser siempre, te lo pronostico. Dentro de unos años lo recordarás. Nunca serás normal, nunca.

—Bueno, o los que no son normales son ellos.

Reverte se ríe. Señala a Roca con énfasis.

—¡Ese es el punto! A lo mejor resulta que la gente no se da cuenta de que vive a un centímetro de las astas de un toro. La gente va por la calle y no se da cuenta cuando conduce, vive, sonríe, va a bailar, se ducha, va a la playa, de lo fácil que es que el toro te meta el cuerno en la femoral. ¡Es muy bueno lo que has dicho, que a lo mejor los normales somos nosotros! Yo no habría podido definirlo mejor.

Roca sonríe. Pero el escritor no hace pausa, vuelve al tema.

—Cuando vuelves sangrando de una plaza y te quedas solo, yo estoy seguro de que te respetas a ti mismo. Puedo equivocarme, pero creo que es el primer respeto que buscas.

—Antes toreaba para conseguir algo: cortar orejas, triunfar, comprarme una casa… Ahora con lo que verdaderamente me quiero llenar es con sentirme bien yo.

—Ahora es cuando eres un héroe. Antes no. Te voy a contar una cosa personal. Yo cumplo 75 años dentro de unos meses. Y aún así tengo un barco velero. Y me cuesta, puedo darme un golpe, días sin dormir... Pero necesito seguir yendo. Sabes que te vas enfrentar al viento, al mar, a tu talento como marino, a tu cansancio, a tu fatiga, al peligro. Yo no salgo al mar para que me aplaudan. Soy yo quien se reconcilia con el viejo que empiezo a ser, fiel a mí mismo. Supongo que te refieres a eso, a que sientes algo así. El problema estará cuando ya no torees, ¿cómo vas a hacer para seguirte respetando a ti mismo cuando seas un tipo con canas, un poco de tripa y ya las chicas no te sonrían?

—No creas que no lo pienso.

—¿Cómo te ves?

—Desde 2023, me pongo a pensar mucho en cómo será vivir sin torear. Pregunto mucho a los toreros retirados.

—¿Y cómo se sienten? ¿Qué te dicen?

—Pues yo creo que todos tienen un vacío. Vas preparando la mente. Pero me pregunto: ¿cómo hará la gente normal que trabaja en una oficina? Tienen una ventaja, que ya saben vivir así desde el principio. Yo no. ¿Cómo voy a solucionar esa tristeza, esa nostalgia o hasta esa felicidad, el día que no toree, cómo voy a ser capaz de expresarlo? Me va a tocar aprender. Eso me preocupa.

—Mira cómo lo solucionó Belmonte…

—Vamos a intentar no llegar a eso...

—Eres muy joven. Te deseo que sea una buena solución. No siempre es fácil.

Hay otro breve silencio. El escritor recuerda algo y vuelve a preguntar.

—Decías que te sientes a veces incomprendido en la plaza. Espartaco me dijo una cosa muy interesante: «El público tiene derecho a no saber». Eso me gustó, que el torero sea capaz de ponerse en lugar del público que le está insultando. ¿Alguna vez has tenido broncas en las plazas, o te han dicho cobarde, hijo puta?

—Sí.

—¿Y comprendes al público? Me gustaría desarrollar eso.

—Hay veces que les das la razón.

—Tienen derecho a no saber.

—Van a verte, ¿quién sabe si lo estás pasando mal? No tienen por qué saberlo. Tú vas ahí a entregarte, a hacer una obra de arte, a expresarte, y el público quiere ver eso no un día, sino todos. El público nunca tiene la culpa. La culpa la tiene uno por sus decisiones, por su mala preparación o por su mala suerte. El público nunca. Eres una persona y puedes estarlo pasando mal por lo que sea, un problema familiar, porque estás enfermo o porque tienes diarrea o un pleito. Tienes que dejarlo todo en el hotel, ponerte el traje y dejar a la personas atrás. Por eso digo que es muy triste estar delante de un toro y no sentir. A mí qué más me da que un toro me coja estando entregado y feliz. Entras a la enfermería orgulloso. Dices: «Oye, me he entregado, ha tenido que pasar esto, a recuperarme y a seguir». Pero torear sin sentir, eso es horrible. Eso es lo más duro para mí.

—La vida es una escuela cuando estás en el sitio adecuado. ¿Qué edad tienes ahora, Andrés?

—Veintinueve.

—Comparado conmigo, eres una criatura, pero me doy cuenta de que tu madurez, tu conversación, incluso tus silencios no corresponden a los de un chico de 29 años en absoluto. ¿Por qué?

Roca Rey guarda silencio. Pérez-Reverte se queda un momento pensativo.

—Creo que eres un héroe, porque el héroe es el que, sabiendo, se levanta y pelea. Levantarse y pelear sin saber es muy fácil, cualquier idiota puede hacerlo. Esa es la gran diferencia: saber o no saber. Y este tío sabe. Ya sabe. A lo mejor cuando empezó no sabía. Ha estado donde no todo el mundo está. Cuando una mujer lo abraza, está abrazando algo más que un chico joven y guapo: está abrazando una biografía. Está abrazando un héroe, no en el sentido tontorrón de la palabra. Está abrazando la densidad de un ser humano que ha vivido. Hasta sus silencios no son los silencios de cualquiera. Son silencios del que sabe. Son silencios de héroe, y los héroes, ya sabes, son héroes silenciosos. Sobre todo porque saben que muchas de las cosas que han aprendido, si las cuentas, no las van a entender, o van a ser malinterpretadas. La vida te hace comprender que hay cosas que es mejor no contarlas. ¿Para qué vas a quitar la ilusión? Déjalos que sean felices.

El escritor mira a los periodistas de ABC.

—Me gusta este tío.

—Muchas gracias.

https://www.abc.es/cultura/toros/perezreverte-roca-rey-20260726013820-nt.html

06 junio 2026

"Hoy no sería capaz de ir a cubrir una guerra. Aquel mundo era otro, y yo también"


El Cultural (El Español) - 06/06/2026

—¿Qué libro tiene entre manos?

—Dos en este momento. 'De Dante a Borges', de José María Micó, y 'La última carrera del Glorioso', de Alberto Fortes.

—¿Cuál es el libro que más le ha 'autoayudado'?

—La 'Anábasis', de Jenofonte.

—Si no hubiera podido ser reportero y escritor, ¿qué hubiera querido ser?

—Marino.

—¿Qué ha sentido al repasar sus "crónicas guerreras" para preparar 'Enviado especial'? ¿Nostalgia de una vida aventurada?

—Nostalgia de mi juventud. Sólo eso.

—Dice que en Enviado especial está "el origen de todo" lo que ha sido después como escritor. ¿Qué le debe este, el escritor, al reportero de entonces?

—La mirada con la que el escritor escribe novelas se fraguó en el reportero que leía libros mientras cubría guerras.

—¿Cuando estalla una guerra todavía se le activa, en los primeros instantes al menos, el deseo de ir a cubrirla?

—No, sé que hoy no sería capaz. Ni física ni técnicamente. Aquel mundo era otro, y yo también.

—Lamenta que la gente ya no quiere que le pongan delante de los ojos la verdadera crudeza de la guerra. ¿A qué se debe esta blandenguería?

—A que ahora nos gusta creer que no sufriremos ni moriremos nunca.

—En su libro de fotografías ha preferido no datar las imágenes. ¿Cuál es el motivo?

—Cambian los medios técnicos de arrasar ciudades o matar a seres humanos, pero siempre es la misma guerra.

—Hoy arranca la Feria del Libro. ¿Qué significa para usted este cónclave libresco masivo?

—La fiesta popular que más vale la pena. Tal vez la más digna.

—Un acontecimiento histórico que le habría gustado vivir in situ. ¿Por qué?

—La Ilustración en París y la caída del Imperio Romano. Pero de esta última estoy siendo testigo ahora. Resulta fascinante.

—Un disco/canción que se ponga en bucle estos días.

—El tango "Cambalache".

—¿Cuál es la serie que ha devorado más rápido? ¿Diría, por cierto, que es la mejor que ha visto? ¿O es otra?

—'Band of Brothers' es la guerra de verdad. Una obra maestra.

—¿En qué película se quedaría a vivir?

—En 'Río Bravo'.

—¿Ha experimentado alguna vez síndrome de Stendhal? ¿Ante qué?

—Ante los atardeceres lentos en el Mediterráneo.

—No se muerda la lengua, díganos algo que ya no soporte del mundillo cultural.

—El mundillo cultural no lo soportaba antes ni lo soporto ahora. Y lo que menos soporto de lo que no soporto es a ese insoportable ministro de Cultura insoportablemente apellidado Urtasun.

—Una obra (disco, libro, obra, banda musical...) sobrevalorada.

—Creía que demandaban ustedes respuestas cortas.

—Un placer cultural culpable.

—Releer a Jardiel Poncela y Agatha Christie.

—¿Cuál es la última exposición a la que ha ido? Impresiones...

—A una mía. De fotos de guerra. Me impresionó que ha pasado casi medio siglo desde que las hice.

—¿La inteligencia artificial matará la creación artística?

—En absoluto. Bien usada, colaborará con ella.

—España es un país...

—Históricamente enfermo. Incurable.

https://www.elespanol.com/el-cultural/letras/20260606/arturo-perez-reverte-hoy-no-capaz-ir-cubrir-guerra-mundo/1003744267148_0.amp.html

28 mayo 2026

“Cuando voy a Argentina no voy al extranjero”

Entrevista de Juan Cruz - clarin.com - 29/05/2026

Da escalofríos esta escritura de Arturo Pérez-Reverte, aquel joven escritor que aun no sabía qué iba a ser de su talento. Iba, en seguida, para periodista y muy pronto, además, encontró el camino de la literatura. Ahora es académico de la Lengua en España, conocido en todo el mundo, y es un amigo ferviente, un hermano, de la Argentina.

El triste rostro de la derrota llamó al desarrollo de la contienda de Argentina contra los ingleses. Él vivió ese desastre. Lo contó entonces, se cuenta de nuevo en este libro, 'Enviado especial' (más de seiscientas páginas), que ahora parece una novedad absoluta de su literatura y que en su tiempo formó parte de las crónicas que Arturo hizo para contar el mundo que iba viviendo.

Pérez Reverte ha llenado su historia de grandes títulos literarios: 'El tango de la Guardia Vieja', 'El pintor de batallas', 'La Reina del Sur', 'El capitán Alatriste', 'Patente de corso', y ahora ha visto publicada esta obra que ahora es uno de sus grandes libros: 'Enviado especial'. Una biografía de guerra recoge lo mejor que ha escrito contando las contiendas mundiales que han jalonado su vida de periodista trotamundos. Él era “un joven con una mochila y una cámara”. Ahora es un académico y sigue siendo un trotamundos. Este libro nuevo (que refleja lo mejor de su periodismo) es también, ahora, una señal de juventud.

—No te lo parecerá, pero quizá este es uno de tus mejores libros.

—No es mío. Es la recopilación que han hecho de una serie de momentos de mi vida cuya publicación autoricé. Me convenció la editora de Alfaguara, Pilar Reyes. Decía: “Quien lee estos artículos seguidos entienden mejor tus novelas”. Cuando lo he mirado me he dado cuenta de qué cantidad de cosas apuntan en mis novelas de lo que aquí aparece. La forma de ver el mundo, los personajes, la actitud ante la vida y ante la muerte, y ante todo la violencia. Este libro se mueve por las fuentes en las que se formó mi mirada. En ese sentido sí es un libro interesante para mis lectores.

—No es una sucesión de columnas de opinión. Es la vida.

—Yo nunca he sido columnista. Cuando era reportero era reportero. En los últimos treinta años he hecho columnas, pero no son columnas periodísticas, son imágenes que esa vida me dejó. Yo no estoy hablando de ninguna actualidad. Estoy recordando momentos que me permiten explicar mi vida y el mundo.

—La parte argentina es como si lo que pasó en aquella guerra hubiera pasado en tu país…

—Cuando voy a Argentina no voy al extranjero. Sigo en un ámbito que se llama lo español, lo hispano, lo hispanoitaliano, lo latino… Ese es mi mundo. Nací en el Mediterráneo, así que cuando voy a Italia, a Gracia, a Turquía… estoy visitando a los parientes. Cuando voy a Buenos Aires ocurre eso también. Es mi patria. Una guerra argentina es también mi guerra… Ahora estuve allí: es mi casa, iba por la calle, a las librerías, charlaba con la gente, y siempre me sentí de allí, y así me recibían. En la guerra, cuando la cubrí, me asombraba que estuvieran muriendo chiquillos y todo el mundo estuviera pendiente de un par de partidos de fútbol.

—El artículo principal respecto a ese viaje a la guerra argentina hace referencia al fútbol… “Mientras peleábamos, Argentina hablaba de fútbol”.

—Vivía en el Sheraton, el hotel de los periodistas. Hacía mi crónica y la transmitía desde la calle Florida. Ahí escuché, cuando iba a enviar mi escrito “¡¡¡gol!!!” y dije: “¡Hostia, es que a lo mejor no merecen ganar…! ¡Están muriendo chicos y aquí están pendientes de si Maradona ha marcado!”… Desde el punto de vista moral fue una guerra muy difícil, estúpidamente dirigida por una junta militar criminal. No se pueden borrar el valor, el coraje, y la decencia de mucha gente que luchó creyendo que lo hacía por su patria….

—¿Cuál sería para ti ahora la lección que tú trajiste de Argentina entonces?

—Argentina es un país como España: enfermo. No consigue meter el hilo en el agujero de la aguja nunca. Y me duele porque es un país que amo. Como España. La gente es estupenda y tiene algo que nosotros no tenemos: la cultura sigue teniendo allí un eco extraordinario. Ahí sigue todavía esa Argentina culta, serena. Es posible que no esté, pero el eco está ahí. Existe ese tejido, ese respeto, ese impulso, esa inercia cultural que la hizo un país tan grande que culturalmente no se ha perdido. En el desgaste cultural que vive el mundo en general, Argentina está mejor situada que España. Aquí hemos perdido una tradición cultural que no conserva con afecto ni con devoción.

—Este es un libro lleno de periodismo…

—Siempre fui un periodista, un reportero. Yo lo he contado siempre: mi vida ha sido mirar y contar. Siempre he recordado al reportero que miraba y contaba. Y es lo que hice en la guerra: era un reportero de guerra, no iba de escritor: mi pasión entonces era la vida como reportero.

—Pero por esa vida ha pasado el tiempo y ahora es también pura literatura…

—Sí, pero no es algo deliberado. Yo hago novelas, artefactos narrativos que intento que sean eficaces para que el lector los viva conmigo y me acompañe en mis aventuras. Ese es mi objetivo como escritor. Claro, no puedo evitar una mirada forjada en la biblioteca del niño que fui… Esas lecturas me dieron un conocimiento del mundo, de las mujeres, de los hombres, de las guerras, del dolor, de la soledad, de todas las cosas… De modo que ahora todo lo que hago, también la literatura, también el periodismo, es evidentemente literatura. Un escritor es una mirada; un escritor es cómo ve el mundo… El que no tiene mirada no vale, no es un escritor interesante. Borges, Bioy, Valle-Inclán… Cada uno tiene una capacidad, pero sin mirada propia no es nadie.

—El reportero no te abandona…

—Hay algo importante para mí. Yo he vivido como reportero… Igual dormía con cucarachas en Angola, en Luanda o en Mozambique que en el hotel Alvear o en el Palace de Madrid… Eso te da conocimiento, soltura profesional en ambientes muy opuestos, y eso te da la riqueza de observar, la capacidad de observar que es evidentemente útil. En vi vida eso ha dado una acumulación de informaciones que ahora me sirven como novelista. Es un saco riquísimo del que saquear todo lo que me interesa…

—La verdad es que eras novelista casi desde que naciste…

—Sí, pero yo no lo sabía. Yo quería ser periodista, y a ello me llevó Pepe Monerri, jefe de 'La Verdad' de Murcia… Me puso a trabajar a los diecisiete años. Y ese aprendizaje mi llevó también a ser novelista, a tener una actitud literaria…

—Igual que hiciste muchas guerras también pudiste hacer otros periodismos… ¿Por qué la guerra te llamó tanto?

—En realidad fue el periodismo. Javier Marías y yo nos decíamos que habíamos leído los mismos libros y los mismos tebeos… Él quería escribir las historias y yo las quería vivir, y eso nos hizo recorrer los caminos para luego aparecer cada uno con un equipaje diferente… A mí no me gustaba la guerra. La guerra era un máster acelerado. Y me hice periodista para ir a la guerra. Para mí era como un pretexto. Yo quería vivir los libros que había leído, quería conocer chicas guapas por el mundo, burdeles en Bangkok... Creí vivir por calles bajo el suelo, quería ser un héroe. A los dieciocho años lo quieres hacer todo. Fue una manera de abrir un objetivo, pero el impulso era ese: una manera de llegar a ese mundo del que luego nació el periodista.

—La guerra se quedó en tu cabeza y ya no te abandonó más. Has releído la guerra y ahora este es tu libro…

—Las guerras… La guerra española fue aquello, como la guerra de los Balcanes… Me pidieron que hiciera un prólogo del libro… Eso me llevó a leer algunas partes de lo que había escrito. "Qué camino tan largo he recorrido", me dije, y señalo en el prólogo. El chiquillo que creció en una biblioteca mirando al mar y soñando con viajes y aventuras… Treinta y cinco años llenos de cosas. No ha sido una especie de orgullo melancólico.

—No: ha sido puro periodismo.

https://www.clarin.com/opinion/perez-reverte-voy-argentina-voy-extranjero_0_Ktk9RJ5CLX.html

24 mayo 2026

Arturo Pérez-Reverte participa en el VII Festival de Novela Negra Agatha en Atenas


Efe - 24/05/2026

Arturo Pérez-Reverte ha participado en el VII Festival de Novela Negra Agatha en Atenas. Las novelas de Reverte, cuyas tramas combinan erudición con el misterio o el suspense de una novela policíaca, virtuosismo literario con el realismo de sus muchos años de experiencia en el periodismo de guerra, fusionan diversos géneros literarios, tradiciones históricas y estilos de escritura.

Vídeo:

https://www.abc.es/cultura/arturo-perezreverte-participa-ciudad-vii-festival-novela-20260524151226-nt.html

14 mayo 2026

“En la guerra la cámara no servía de escudo, te ponía en peligro”


Moeh Atitar - El País - 14/05/2026

Arturo Pérez-Reverte (Cartagena, 75 años) avisa desde el inicio de la entrevista: “Yo nunca he pretendido ser fotógrafo. Solo era un tío que tiraba fotos”. La conversación, en el bar del hotel Palace de Madrid, con un café y un vaso de leche de por medio, se jalona de un profundo respeto hacia el fotoperiodismo, y el escritor (antes periodista) y académico de la RAE revela cierto síndrome del impostor, pese a que ahora PhotoEspaña expone su trabajo.

La muestra ―'Fotografías de guerra 1974-1985', hasta el 30 de mayo en el Ateneo de Madrid― recorre su obra fotográfica, que coincide con la publicación de 'Enviado especial', una biografía de guerra, libro editado por Alfaguara y que reúne una destacada selección de crónicas, reportajes y columnas. El nivel de las fotografías seleccionadas, tanto para la exposición como para el catálogo (editado por La Fábrica), haría las delicias de cualquier editor de prensa, historiador o comisario de arte.

La entrevista se ciñe exclusivamente al fotoperiodismo. No asoman ni el capitán Alatriste, ni la RAE, ni las variadas polémicas que suelen acompañar al académico.

—Sin querer ser fotógrafo, ¿por qué hacía fotos?

—Trabajaba para el diario 'Pueblo' y viajaba solo por África, Asia y América. 'Pueblo' tenía una gran tirada, era espectacular. Si quería publicar mis reportajes tenía que llevar imágenes. Yo no quería hacer fotos: era una necesidad para poder publicar. Sin foto, no había texto. Cargabas un carrete de 36 y te ponías a disparar… Alguna tenía que salir bien. Pero yo enviaba los carretes sin saber qué había hecho.

—¿Pero no revelaba los carretes?

—No. Yo sé revelar, pero en medio de la guerra no te ponías a hacerlo. Te hacías amigo de algún piloto o de alguna azafata que regresara y mandabas los carretes con ellos a la redacción. No veía el resultado de mis fotos ni de mis reportajes, porque seguía en la guerra: pasaba meses allí e iba enviando material. No existía la inmediatez de ahora; lo que había tomado semanas antes seguía teniendo valor. Nunca le di importancia a mi archivo fotográfico. Cuando cerró 'Pueblo' fui a recoger todo mi material y lo guardé en unas cajas. Hasta hace unos años, cuando con la ayuda de mi amigo el fotógrafo Jeosm me puse a buscar unas fotos familiares y él me dijo: “Aquí hay muy buen material”. Hay imágenes que no había visto hasta hace poco.

—¿Con qué equipo trabajaba?

—Mi cámara principal era una Nikon F2, una máquina buenísima y muy fiable. Era toda mecánica, salvo el fotómetro. Luego llevaba dos Pentax más ligeras. Mi objetivo preferido era el 50 mm; en combate montaba un 35. Ese angular, en medio de las trifulcas, te ayudaba a sacar algo bueno, porque con un disparo abarcabas toda la escena. Mis fotos son de combate real porque estaba allí metido, vivía con ellos. Llevaba un 135 mm, pero nunca lo usaba: la acción estaba demasiado cerca. Y de carrete utilizaba 400 ASA. Te llevabas 10 o 20 carretes, y cuando se acababan tirabas con lo que podías comprar por allí, así que imagínate.

—¿Cuáles son sus referentes en la fotografía? En 'Enviado especial' menciona que la película 'Sangre en Indochina' le motivó a ser periodista de guerra.

—Sí, la película de Pierre Schoendoerffer, un francés formidable, me dejó fascinado. Luego, con 14 o 15 años, me hacía con las revistas 'Life' y 'Paris Match'. Los fotógrafos de esas publicaciones fueron mis maestros. Hablamos de Gilles Caron, Catherine Leroy, Larry Burrows y tantos otros con los que después coincidí en la guerra; conocer su trabajo me ayudó a conectar con ellos. Recuerdo que me hizo mucha ilusión que, en la primera guerra que cubrí, la de Chipre (julio 1974), 'Paris Match' publicara una foto de lo que Manu Leguineche llamaba la tribu, ese grupo de unos treinta periodistas que íbamos coincidiendo en distintos conflictos, y yo estaba allí, entre ellos.

—En la presentación de la exposición y en el libro que recopila sus crónicas aseguraba que la guerra ahora se pixela…

—Hay muchas fotos mías que ahora son impublicables. Nos ha pasado con la exposición, aunque he sido bastante ajeno al proceso de selección. En el catálogo hay unas 50 o 60 fotografías; en la muestra se redujeron a 20. Solo eligieron dos fotos de muertos, y fue porque pedí que estuvieran. En la exposición tienen un tamaño más pequeño: no se atrevieron, por instinto o de forma deliberada, a darles mayor formato.


"Esta fotografía hoy sería impublicable. Fue primera del diario 'Pueblo'. Es en Eritrea. El tipo al verme con cámara me pidió que le hiciera una foto. En la exposición han decido darla en un formato más pequeño", cuenta Pérez Reverte.

—¿Por qué cree que sucede?

—El ser humano niega ahora el dolor, sobre todo en Occidente. Nuestros padres y abuelos tenían la certeza del dolor y de la muerte. No había penicilina, había hambre, había guerras… Había una aceptación natural, biológica y social de lo que eran. Ahora se muere el abuelito y al niño le decimos que está en el cielo y ni siquiera ha ido al velatorio, para que no se traumatice. Esa hiperprotección es propia de Occidente, porque en el resto del mundo se sigue viviendo con esa certeza. Y la función del reportero de guerra era, justamente, remover conciencias. La prensa contribuyó a acabar con la guerra de Vietnam con fotos como la de Eddie Adams, en la que el general Loan ejecuta a un hombre en plena calle y sin juicio previo. Ahora ya no vemos esas imágenes de la guerra de verdad.

—Sin embargo, estamos rodeados de videojuegos con una violencia explícita donde, en cierto sentido, se juega a matar…

—Llevan al jugador a una realidad virtual que no es la exacta, con lo cual cree que la violencia es eso. No, la violencia huele, sangra, duele, golpea, mata… Hace 40 años, cuando alguien mataba, sabía lo que estaba haciendo. Ahora la gente puede matar por juego y creerse que en la vida real es solo eso.


"Son milicianos cristianos en Beirut, Líbano. Muy jóvenes. Te pasabas días con ellos en el frente. Eras uno más", recuerda Reverte.

—Sorprende que sea tan preciso en la datación de los textos de 'Enviado especial' y, sin embargo, en las fotos no hay ni fecha ni lugar.

—No me acordaba con precisión ni de los lugares ni de las fechas. Insisto, nunca le di importancia a mi archivo fotográfico. No soy fotógrafo. La prueba es que dejé la cámara en cuanto llegué a la televisión, y me iba a la guerra con grandes profesionales que tomaban las imágenes. Y al final, todas las guerras son la misma guerra.

—¿Le servía la cámara como escudo?

—No, en absoluto: la cámara te ponía en peligro. Te veían hacer una foto que no querían que hicieras y… La Nikon era una buena cámara, pero nada discreta. Hacía mucho ruido y más de una vez tuve que sacar el carrete y velarlo porque no les gustaba lo que había fotografiado. Tenías que ganarte su confianza. Hay que tener en cuenta que pasaba días con ellos en el frente. En África me ayudaban mucho los cigarrillos y llevar una Polaroid: nada más llegar le hacía una foto al jefe y se la regalaba. Reconocías su autoridad. Pero, en general, eras bienvenido. Eran todos más inocentes, no veían las consecuencias de las fotos. No había inmediatez: si les hacías una foto, significaba reconocer su heroicidad. Ahora todos saben lo que es una fotografía, y por eso ya no existe el acceso que teníamos antes.

—Su novela 'El pintor de batallas' la protagoniza un fotoperiodista retirado obsesionado con la geometría del caos. ¿Tenía usted también esa fijación?

—Con el tiempo descubrí que en la guerra hay una geometría: está la parábola de un obús, la línea recta de la trayectoria de una bala o la formación misma de un grupo de soldados… Todo son curvas, rectángulos, líneas. La mayoría de mis fotos están tomadas desde el suelo. Esa visión de la geometría del caos te permite mover la cámara: te da los ejes, el punto, el lugar. Estás en el suelo y un tipo pasa corriendo. No es lo mismo que estar de pie, porque de pie te pegan un tiro. Esa posición te obliga a hacer un encuadre determinado, porque la foto se impone. Pero nunca racionalizas esa geometría del caos. Aún hoy, con 75 años, voy por la calle y sigo viendo lo bueno y lo malo: dónde está el sol, cómo sopla el viento, la lluvia, el semáforo o el tráfico. Es la geometría del mundo. Y esa percepción me la ha dado la guerra.


"El comandate Kibreab era mi amigo. Lo mataron en Tessenei. Originalmente era una diapositiva a color. Eso que tiene arriba que parecen flores son sus sesos. No la quise vender. Después del combate, cruzamos la plaza y al llegar al final no estaba. Pregunto por él y me responden en italiano: 'È andato via'. Se ha marchado. Lo reconocí al pasar. Me acuerdo de la foto porque la pude ver al momento, al ser diapo. Nunca la quise vender. Era mi amigo. Si hice la foto fue por instinto periodístico. Pero no la vendí".

—¿Qué más le ha enseñado la guerra?

—Los que hemos visto la guerra somos distintos a los que están aquí, porque no tienen conciencia de lo frágil, de lo incierto. Pero hay algo que aprendí muy joven: la humildad profesional. Yo llegaba a un sitio y buscaba al periodista que más sabía. Aquel tipo, aquel viejo que estaba con la puta, borracho, era el que más sabía de ese país. Me acercaba y le decía: “Hola, me llamo Arturo, te invito a una copa. No tengo ni puta idea. Sé que tú eres el que más sabe y quiero aprender”. Y siempre, siempre me ayudaban. Con ellos aprendí el oficio: esa humildad profesional de aprender de los que más saben. Puedes ser lo más chulo del mundo, pero trabajando tienes que aprender. Con los fotógrafos me pasaba lo mismo.

—Puede parecer que ahora lo hacemos todo mal en el fotoperiodismo.

—¡Para nada! ¡Jamás he dicho eso! Todo lo contrario. El fotoperiodismo es una elección de la realidad que quieres mostrar. Y si el periodista es un tipo formado, inteligente, con visión, de nivel, el resultado es espléndido. El encuadre denota ya un talento, una intención, y es de las pocas cosas que aún conservan la personalización. No engaña: es la prueba del algodón. Hay un problema, y es la saturación de imágenes de retaguardia, que puede hacer cualquiera con su teléfono móvil… pero compárala con la que realiza un fotoperiodista con intención. Y siguen existiendo fotografías espectaculares.

—¿Recuerda alguna?

—Recuerdo una fotografía magnífica pero tontorrona. Tres chicos en la guerra de Ucrania, chavales universitarios, a los que habían equipado con uniformes y fusiles. Salían del cuartel con edad de estar saliendo del colegio. De la escuela a la trinchera. No es una foto de guerra al uso, pero sí una imagen extraordinaria. Ninguna imagen de televisión o de un aficionado consigue eso.

—Dice Koudelka que una buena foto es aquella que no se puede olvidar. ¿Cuál es la suya?

—Una de mi madre. Era bellísima. Mi madre era la mujer más guapa de Cartagena. En la foto parece una actriz italiana, de cine: delgada, alta, elegante… Está con sus gatos en la terraza de casa de sus padres, antes de casarse. Cuando veo esa imagen no veo a mi madre, sino a la mujer, con mayúscula. Veo la belleza, la elegancia, la serenidad… Luego la vida va destruyendo esas cosas a medida que pasan los años. Y esa foto de mi madre es la que más quiero. Si antes de morir pienso en una foto, será la de mi madre en aquella terraza.


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